domingo, 8 de novembro de 2015

DO AMOR, ENSAIO DE ENIGMA


“O ‘tu’ é a oportunidade concreta de realizar a parte ‘nós’ sem perda da parte ‘eu’.” (pg 24)

Dizem por aí que a primavera é a estação das flores e eu particularmente acho que é a estação do amor, seja esse amor da forma que for. A primavera antecede o verão, e como vivo num balneário, cidade praieira, cidade de sol e mar, vejo que as duas estações se completam. É muito comum por aqui dizer... Quando o verão chegar... Essa é para o verão... É o meu projeto verão... E a primavera estabelece esse start para quando o verão chegar. Andei pensando em alguns casais de amigos que estão juntos há bastante tempo e percebo esse recomeço quando chega a primavera, um certo brilho no olhar com a proximidade do verão, e então caiu a ficha sobre esse sentimento tão maltratado, subjugado, enlatado, classificado, banalizado, que é o amor.

“Uma das percepções mais difíceis é a da dimensão do amor do outro por nós, numa medida em que nem ele próprio percebe. É preciso aprender a se relacionar com essa dimensão oculta, para não ficarmos infelizes com as respostas que não vierem, com os silêncios que substituírem conversas, com as ausências e egoísmos que nos rejeitarem.” (pg 100)

Pensando nisso fui buscar um livro que li em 1984 quando vivia meus vinte e poucos anos e era um romântico exacerbado. Do Amor, Ensaio de Enigma foi escrito e fundamentado pelo saudoso Artur da Távola (1936-2008) nas fases que estava sem mandato a cumprir. Artur era exímio pensador e admirador da música clássica, especialmente Vivaldi. Na minha mais humilde opinião seus melhores textos vão até 1996 quando ainda tinha tempo para dedicar-se a uma obra e expandir suas fundamentações para diversos ângulos. No fundo eu acredito que Artur da Távola era um ensaísta, um cronista, de mão cheia. E esse livro que em breve vou abandonar foi um marco na minha existência romântica.

Hoje, passados mais de trinta anos que li seus escritos pela primeira vez, consigo examinar a dimensão de suas palavras que estão sublinhadas na edição que possuo e entende-las no seu complexo significado.

“O amor maduro não é menor em intensidade. Ele é apenas quase silencioso. Não é menor em extensão. É mais definido, colorido, poetizado. Não carece de demonstrações: presenteia com a verdade do sentimento. Não precisa de presenças exigidas: amplia-se com as ausências significantes.” (pg 117)

Cidade do abandono: Salvador/BA
Local: Estacionamento - Subsolo - Shopping Barra
Data: 10/01/2016

Nenhum comentário:

Postar um comentário