domingo, 9 de junho de 2013

O AMOR NOS TEMPOS DO CÓLERA

Com a proximidade do dia dos namorados andei pensando muito em um livro cuja história representasse um amor incondicional, definitivo, desses que você tem certeza só acontecem nos livros, filmes ou novelas, sem jamais pensar que pudesse acontecer na vida real. Dito isso fui direto à estante e peguei O Amor nos Tempos do Cólera, do grande Gabriel Garcia Márquez (1927), autor que já citei aqui no post Cem Anos de Solidão.

Se você é como eu, gosta de folhear um livro antes de ler, terá a mesma impressão: como pode um livro de amor ter pouquíssimos diálogos entre os amantes? O estilo “realismo fantástico” do Gabriel Garcia Márquez permite que a história de uma vida, ou várias delas, se cruzem com a simples narração dos sentimentos, pensamentos, ações, sem que haja sequer uma dúvida sobre a veracidade do que se lê.

A história de amor entre Florentino Ariza e Fermina Daza transcorre sem quase nenhum contato físico por mais de cinco décadas, enfrenta o inicial temor pela rejeição, a conquista definitiva através de cartas de amor cada vez mais eloquentes, o pedido de casamento mesmo sem nenhum contato, a resposta ao pedido só veio quatro meses depois, a tia alcoviteira que facilitava o vai e vem das cartas, a descoberta do romance, e das cartas, pelo pai de Fermina, a separação imposta pela família, o primeiro olhar e a emoção de conhecer o homem que a chamava de Deusa Coroada em tantas cartas de amor.

Florentino Ariza vive uma vida, Fermina Daza vive outra, embalados por sentimentos diversos, lembravam-se um do outro, mas deixavam seus corações abertos. É possível estar apaixonado por várias pessoas e por todas sentir a mesma dor, essa dor que vem desde aquele primeiro e único amor verdadeiro. O autor nos diz isso com seu jeito bem peculiar na página 334, “O coração tem mais quartos que uma pensão de putas.”.

Quatrocentas e vinte e nove páginas retratam cinquenta e três anos, sete meses e onze dias com as respectivas noites até que Florentino diz a Fermina:

- Toda a vida.

Cidade do abandono: Salvador/BA
Local: Espaço Itaú de Cinema - Sala: 4 - Praça Castro Alves
Data: 10/07/2013

Um comentário:

  1. A-MO esse livro! E, em especial, essa frase. Que nunca esqueci.

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