domingo, 19 de janeiro de 2014

O OPORTUNISTA


Já confessei em vários posts que sou noveleiro, assisto até novela ruim só pra ter a experiência de como não fazer. Claro que uma aqui e outra ali me pega de verdade e isso hoje em dia é mais raro de acontecer. Quando assisto Amor à Vida e todos os núcleos, isso mesmo, todos os núcleos são chatos e de tão inverossímeis chegam a ser caricatos, temo pelo sacrifício de alguns atores em dizer o texto, vide entrevistas recentes do Marcello Antony e do Juliano Cazarré. Mas é o personagem Félix, vivido pelo ator Mateus Solano que me causou a maior decepção, tinha tudo para ser um grande vilão, um personagem duro, sarcástico, capaz de atrocidades, egocêntrico, foi arremessado a uma caricatura de bicha espalhafatosa, que existe na vida real, mas que não se adequa ao perfil traçado até o capítulo 100 da novela, tudo para que o personagem obtenha o perdão do público e trace sua redenção ao bem supremo.

Na literatura estamos cheios de exemplos de histórias sobre pessoas inicialmente más e que depois se tornam boas em virtude de uma situação ou conflito. Piers Paul Read (1941) é um bom exemplo de autor para esse tipo de trama. Talvez vocês não conheçam a obra O Oportunista, mas devem conhecer o livro Os Sobreviventes, do mesmo autor, ou o filme do mesmo nome, que conta a história real de um desastre aéreo na Cordilheira dos Andes e dos sobreviventes comem a carne humana dos passageiros mortos para manterem-se vivos, já abandonei esse livro em 2010, leiam o post datado de 7/11.

Piers Paul Read é um mestre na escrita para tipos como o Félix, com uma linguagem bastante mordaz ele nos conduz a uma espécie de antessala do céu para contar uma história de pecado e perdão, crime e castigo, egoísmo e perversidade versus generosidade, e sem soar maniqueísta ele nos mostra a saga de um homem comum a situar-se entre o bem e o mal, o romântico herói desvirtuado convertendo-se ao bem e pagando o preço que a vida cobra por suas escolhas.

O livro é muito bem escrito e faz pensar, não sou puritano de achar que uma conversão apaga o que éramos. Em cada um de nós há um pecador e um santo, tanto um quanto o outro se desenvolvem, e eu disse tanto um quanto o outro, e não um ou o outro, e esse desenvolvimento é mútuo. É por isso que um homem bom tem sempre o mau na imaginação, e o inverso é recíproco, daí quando um homem mau se converte para o bem ele nunca começa do nada, eu acredito que ele fez algum progresso durante sua vida.

Cidade do abandono: Salvador/BA
Local: Porta do Casarão - Rua João Gomes - Rio Vermelho
Data: 30/03/2014

6 comentários:

  1. Respostas
    1. Ramon
      Fico feliz de ter influenciado sua leitura, é realmente um bom livro. Obrigado por visitar o blog.
      Abraço.

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  2. Faz muito tempo que li esse livro, me lembro de ter gostado muito.... geralmente fazemos trocas de lvros, nunca havia pensado em "deixar
    por ai" idéia bacana....

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  3. Se gostou da ideia então pratique-a e divulgue o blog para que possamos ampliar esse conhecimento.
    Obrigado por visitar o blog,

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  4. Estou terminando de ler o livro e estou gostando da forma que ele mexe com a emoção do leitor, confesso que não conhecia o blog até a presente data, mas gostei muito,

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    1. Lucas, o livro O Oportunista é muito interessante, nesse post eu citei muito a novela Amor à Vista, e a estreia da novela Regra do Jogo tem muito do estio do autor na dubiedade dos personagens.
      Bem vindo e obrigado por visitar o blog.

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