domingo, 19 de maio de 2013

ZÉLIA, UMA PAIXÃO


Às vezes cai em minhas mãos um livro e só de ler o título, ver a capa, ler a orelha, me ponho a pensar: Porque fulano escreveu isso? Quem vai ler essa história? E a resposta vem de imediato: Eu. Se você é um leitor assíduo do meu blog já deve saber que não tenho preconceitos literários, leio muita coisa bacana e também cada coisa bizarra, ruim, mas me imponho a ir até o fim já que me predispus a começar. E já confessei também que tenho preguiça para livros de autoajuda e aqueles com “receitinhas” para arranjar namorado, emprego, conquistar o sucesso, etc...

Dito isso quero falar do autor, Fernando Sabino (1923-2004), cuja obra eu admiro muito e tenho por alguns de seus livros um vínculo emocional bem forte, como é o caso de Encontro Marcado, O Homem Nu e O Grande Mentecapto, além de admirar o seu estilo. Como já escrevi aqui no post intitulado O Gato Sou Eu, de 14/07/2011, Fernando Sabino é um desses autores que lemos sem pressa, examinando suas palavras e em deleite com a graça e a simplicidade dos seus textos.

Dito isso também, lanço a pergunta: Porque Fernando Sabino aceitou escrever esse livro sobre a Zélia Cardoso de Mello?

Tá certo que Zélia é uma personagem da história do Brasil... Mas acredito que seja suficientemente alfabetizada para escrever sua própria biografia se fosse o caso de querer algo mais sério.

Tá certo que Zélia foi motivo de ódio e chacota do Brasil inteiro quando confiscou nosso dinheiro naquele fatídico Plano Collor... E isso, com certeza, despertou a curiosidade das pessoas sobre quem é e de onde veio.

Tá certo que Zélia envolveu-se emocionalmente com Chico Anysio, e teve filhos com ele, um encontro amoroso improvável pela trajetória e estilos de vida de ambos... Mas aceitar a alcunha de “Cinderela às avessas” imputado no livro já é querer entrar no rol das piadas prontas.

Então você, nobre leitor do blog, me faz a seguinte pergunta: Porque você está escrevendo sobre esse livro?

O que prontamente respondo: Para que você o leia, perceba a estética literária do Fernando Sabino mesmo na adversidade, e faça a leitura com humor, com distanciamento, sem acreditar que tudo é real ou que tudo é romance.

Cidade do abandono: Salvador/BA
Local: Ponto de ônibus - Av. Prof. Magalhães Neto - Em frente ao colégio Módulo
Data: 06/07/2013

5 comentários:

  1. Rapaz, genial seu blog e sua proposta! Uma pena que, pelo menos na meia dúzia de posts que chequei, as pessoas não participem muito. Te garanto que se algum dia abandonar um livro em Curitiba, irei atrás para ler e escrever aqui sobre o que achei do livro.

    Abraço

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    1. Guilherme,
      Já estive em Curitiba algumas vezes para ministrar treinamentos e gosto muito da cidade, acho-a encantadora. Na época ainda não escrevia o blog, por isso não tive a oportunidade de abandonar livros por aí.
      Obrigado por visitar o blog e postar seu comentário.
      Forte abraço,

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  2. Descobri seu Blog por acaso, pesquisando sobre este livro para escrever um artigo sobre a política dos nos 90 comparando com o momento atual. Gostei da sua forma de expor sua opnião

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  3. Muito boa a idéia por trás do seu bloco. Só peço que permita que eu guarde um ou outro livro,que tenha criado um forte laço emocional, os outros prometo abandonar em mãos de outros leitores.
    Muito bom seu blogs.

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