domingo, 17 de março de 2013

OLHOS AZUIS CABELOS PRETOS


Marguerite Duras (1914-1996) é uma autora que me instiga. Assim como Clarice do post passado, Marguerite Yourcenar, Viginia Woolf, Florbela Espanca e, sem querer desmerecer ou ser injusto com as demais, o fato é que Marguerite Duras tem uma escrita voltada para as relações humanas sob a ótica do amor que me fascina. Nunca consegui ler seus livros uma única vez. Aqui no blog ela já apareceu duas vezes com os livros A Dor e O Deslumbramento.

Agora escolhi Olhos Azuis Cabelos Pretos e estou com um friozinho na barriga ao escrever este post porque sei que em breve o livro irá sair da minha estante. O que me conforta é o fato de saber que provavelmente esse livro irá povoar os pensamentos de uma outra pessoa.

O romance tem como cenário um quarto. Dele ouve-se o barulho do mar, mas também se ouve o ruído das pessoas que passam em busca de sexo. A narrativa gira em torno de um homem e uma mulher que vivem uma união branca e que tem entre si um obstáculo intransponível ao outro, as lembranças do homem de olhos azuis e cabelos pretos.

Ele é homossexual e ela é paga por ele para que durma a seu lado com a finalidade implícita de manter uma espécie de impessoalidade afetiva. Ele se apaixonou pelo rapaz que conheceu e ela é dúbia em seus sentimentos pelos dois, ama a ilusão do amor correspondido. O encontro do homem e da mulher é permeado pelas lembranças do rapaz. Não contam seus nomes, mas conversam sobre a vida, a morte, e sobre seus anseios. A autora utiliza-se da sua experiência para traçar cenas na terceira pessoa com marcações puramente teatrais com frases curtas e eloquentes.

Um primor.

Cidade do abandono: Salvador/BA
Local: Shopping Passeo Itaigara - Escada de acesso ao cinema.
Data: 29/03/2013

sábado, 9 de março de 2013

A HORA DA ESTRELA


Estou aqui sentado na frente do computador há mais de 40 minutos. Desde que peguei A Hora da Estrela na estante que o livro tremula em minhas mãos. Releio trechos, lembro-me das passagens, penso no filme da Suzana Amaral e a figura da Marcélia Cartacho vem forte na memória, e uma questão me atormenta: Como vou passar para o leitor do blog tamanho sentimento?

A Hora da Estrela foi o último livro publicado pela jornalista e escritora Clarice Lispector (1920-1977). E todos dos livros que li da autora me deixaram assim, transbordando em sentimentos. É uma incógnita como ainda hoje consegue mexer tanto comigo, desde a primeira vez que li A Paixão Segundo G.H. que fui arrebatado por Clarice e tornei-me leitor assíduo da sua obra.

Nos idos anos 80 confesso que fiz cara feia quando ouvi dizer que um dos meus livros preferidos seria transformado em filme. Não acreditei em tamanho atrevimento e pensei; vão transformar os textos de Clarice em lixo. Até começar a ouvir as críticas positivas, os prêmios arrebatados, e deixar-me seduzir pela interpretação magistral de Marcélia Cartaxo que passou a ser minha referência de personificação todas as vezes que senti saudades da ingênua Macabea.

A Hora da Estrela é um romance sobre o desamparo. A história é narrada pelo então fictício escritor Rodrigo S. M. e começa quando uma moça do interior vai para o Rio de Janeiro em busca de seus sonhos. Quando somos apresentados a Macabea vimos o quanto miserável é a sua vida e o quanto ela não tem consciência sobre isso.

Lembro muito bem de uma entrevista que Clarice concedeu à TV Cultura e que tive a oportunidade de assistir anos depois da veiculação. Na entrevista Clarice dizia que estava escrevendo um livro que já tinha pensado para ele mais de quinze títulos diferentes e contava a história de uma moça tão pobre que só comia cachorro quente. Mas a história não é bem essa, ela nos transporta para uma inocência há muito perdida, uma miséria não contabilizada, mas que tem um final feliz para a anônima protagonista.

Um livro que deve ser lido, um filme que deve ser visto, uma saudade incrível da Marcélia Cartaxo, Tamara Taxman e do José Dumont. Saudade maior de uma Clarice Lispector em nossas vidas.

Cidade do abandono: São Paulo/SP
Local: Casa do Pão de Queijo - Conjunto Nacional
Data: 26/03/2013

domingo, 3 de março de 2013

HISTÓRIA DO CERCO DE LISBOA


Meu primeiro contato com a obra do José Saramago (1922-2010) se deu quando morava em São Paulo e fui assistir no teatro uma peça inspirada na sua bem polêmica obra intitulada ‘O Evangelho Segundo Jesus Cristo’, uma montagem bem bacana que me despertou para a leitura do livro. Daí para ler quase toda a obra foi um passo já que o autor tem uma veia única para contar suas histórias. E que histórias. Vocês devem lembrar do filme ‘Ensaio Sobre a Cegueira’ que também teve o enredo inspirado na obra homônima do Saramago.

Em ‘História do Cerco de Lisboa’ o leitor se depara com a história real do cerco a Lisboa em 1147 quando os portugueses, com a ajuda dos cruzados, tomaram a cidade dos mouros. E a outra história, inventada, fictícia, que surge através de um ato do revisor Raimundo Silva depois de alterar injustificadamente uma palavra em certa frase na revisão de um livro, mudando a história real com a simples força de um “não”.

Para além das decorrências desse ato Raimundo Silva vai viver outra história, desta vez com sua editora Maria Sara, um encontro amoroso na Lisboa de hoje, duas narrativas tecidas e entretecidas de forma brilhante pelo mestre Saramago. A nova história do cerco é crônica do amor tardio do revisor falsário por Maria Sara que se espelha, vários séculos depois, no amor do soldado Mogeuime por Ouroana aos pés da cidade prestes a cair. É uma fascinante meditação sobre a natureza e as relações entre a ficção e a história, a vivida e a narrada, as possiblidades do romance enquanto meio de recriar o passado e o presente.

“Está demonstrado, portanto, que o revisor errou, que se não errou confundiu, que se não confundiu imaginou, mas venha atirar-lhe a primeira pedra aquele que não tenha errado, confundido ou imaginado.” Sentencia o autor.

Cidade do abandono: São Paulo/SP
Local: Entrada do metrô Consolação
Data: 25/03/2013

domingo, 24 de fevereiro de 2013

NEVE


Neve é um típico livro espanta leitores, um livro político que traz a tona assuntos sobre conflitos raciais e religiosos do universo muçulmano. O confronto intransigente e muitas vezes sangrento dos islamistas radicais com um estado que quer ser secular, a violência do aparelho repressivo, o medo de que os radicais cheguem ao poder pela democracia e os crimes cometidos pelos dois lados. Mas perde o leitor que, por preconceito ou preguiça, não se aventurar e mergulhar na história do poeta turco Ka.

Ka vive exilado na Alemanha e volta para Istambul após cinco anos para o enterro da mãe. De lá ele resolve ir para a remota cidade de Kars com o pretexto de fazer uma reportagem sobre uma onda de suicídio entre jovens islâmicas. Uma nevasca bloqueia todas as estradas deixando a cidade isolada do mundo e é nesse clima de isolamento que um veterano ator e sua mulher aproveitam para liderar um golpe militar. Embora distante da política há muitos anos Ka se vê protagonista involuntário dessa revolução, ao mesmo tempo que reencontra Ipek, antiga colega de escola e pela qual é apaixonado, e se isso não bastasse as poesias que lhe escaparam por anos agora fluem com extrema naturalidade.

E nesse turbilhão Ka vaga por dias, tentando salvar a si mesmo e ao seu recém redescoberto amor por Ipek, equilibrando-se entre as diversas facções em choque , vendo a cidade transformar-se num microcosmo dos conflitos raciais, políticos e étnicos da Turquia. Mas a história subverte-se e toda a ação de Neve se passa alguns anos depois do golpe e a fatídica nevasca. Um amigo de Ka, obcecado para encontrar seu caderno de poesias, refaz os passos do poeta tentando entender as mudanças tão radicais que aqueles dias provocaram na vida do amigo.

É um livro primoroso, não é à toa que Orthan Pamuk (1952) é considerado um dos melhores escritores da nossa geração, seus trabalhos já foram traduzidos em mais de cinquenta línguas, ganhou vários prêmios internacionais e em 2006 ganhou o prêmio Nobel de Literatura.

Cidade do abandono: São Paulo/SP
Local: Center Três - Av. Paulista - Starbucks
Data: 15/03/2013

sábado, 16 de fevereiro de 2013

O DEMÔNIO E A SRTA. PRYM


Confesso nobre leitor desse blog que faz tanto tempo que li o livro que pretendo abandonar que tive que fazer uma releitura rápida do exemplar para escrever sobre ele com certa propriedade, esboçar aqui minha mais humilde opinião e talvez fazer com que o sortudo que o encontre tenha interesse pela história que Paulo Coelho (1947) escreveu. Aqui também confesso que não sou lá muito fã do autor, mas já escrevi por aqui que consigo separar bem a persona do autor e gostar da obra sem necessariamente gostar de quem a escreveu. E que fique claro que não conheço o Paulo pessoalmente e que ele nunca me causou mal algum, muito pelo contrário, apenas não me deixei dominar pela “onda Paulo Coelho” e tenho opinião própria sobre os livros de sua autoria que já li. Gosto muitíssimo de alguns e outros sinceramente não me acrescentaram absolutamente nada, logo eu que sou um fanático por histórias.

Reza a lenda, e a obra do Paulo é cheia delas, que o livro título desse post é o último da trilogia que começou com ‘Na Margem do Rio Piedra Eu Sentei e Chorei’, que não me emocionou nem um pouco, e o ótimo ‘Veronika Decide Morrer’, na minha humilde opinião um livro muito bem escrito num momento de boa inspiração do autor. Em ‘O Demônio e a Srta. Prym’, que também é um bom livro, leremos sobre a história da pequena Vila de Viscos onde a vida parece estacionada no tempo. Um estrangeiro chega com um aviso que vai mudar a rotina de Chantal Prym, uma jovem muito dividida entre o anjo e o demônio que traz dentro de si, e outros personagens da aparentemente tão pacata Vila. Cada um terá de escolher seu caminho.

Em comum nessa trilogia de livros está o fato de que as histórias acontecerem durante uma semana na vida dos personagens ditos normais, e que subitamente se veem confrontados por três signos importantes: o amor, a morte e o poder.

Eu gosto de encarar certas situações da vida como destino, algo que já estava escrito. É quando a vida coloca diante de nós um acontecimento como se fosse um teste, como uma prova da nossa coragem de enfrentar desafios ou a nossa reação diante de uma brusca mudança. Você pode encarar, pode fingir que nada está acontecendo ou ficar dizendo para si mesmo que ainda não está pronto.

Segundo a escrita do Paulo Coelho os desafios não esperam, o tempo de vida não se repete, e uma semana é tempo suficiente para decidirmos se vamos aceitar ou não o nosso destino.

Cidade do abandono: São Paulo/SP
Local: Conjunto Nacional - Av. Paulista
Data: 15/03/2013

domingo, 10 de fevereiro de 2013

PAÍS DO CARNAVAL - CACAU - SUOR


O livro que pretendo abandonar não poderia estar em data mais propícia, afinal estamos em pleno carnaval. Baiano que sou, além de apaixonado pelo carnaval, vasculhei minha estante e escolhi outro baiano, Jorge Amado (1912-2001), e sua obra de número um O País do Carnaval. Mas o sortudo que encontrar o livro vai levar também Cacau e Suor, isso porque a edição que possuo contém os três primeiros livros desse grande autor, serão três livros num só.

País do Carnaval foi publicado em 1931, é um relato sobre uma pseudo intelectualidade baiana nos anos 20 do século passado. Para leitores assíduos de Jorge Amado os vários temas que ele abordaria no futuro já se encontram de forma bem embrionária aqui. Paulo Rigger é o personagem que move o livro, após formação na Europa ele volta ao Brasil e quer participar da vida pública mas culpa o Carnaval e a mestiçagem pelo atraso do seu país e tenta mudar o imutável.

Cacau foi publicado dois anos depois e é um livro muito politizado para a época, conta a história dos trabalhadores nas fazendas de cacau no sul da Bahia quando há a expansão das ideias socialistas e o começo da luta de classes.

Suor é o livro mais socialista dos três, publicado em 1934 a obra relata o cotidiano dos moradores de um prédio numa das ladeiras do Pelourinho subjugados pelo sistema capitalista segundo o autor, as condições de trabalho e a falta de direitos humanos são mostradas de forma bem explícita quando se revela os parcos salários, a falta de alimento e as habitações em péssimas condições de higiene. Reza a lenda que na juventude Jorge morou num pequeno cômodo num dos sobrados coloniais do Pelourinho e os relatos presentes no livro são de experiências pessoais vividas nessa época.

Segundo consta, em 1937, vários exemplares de Suor foram queimados em praça pública de Salvador, junto com outras obras de Jorge Amado, por determinação da polícia do Estado Novo. Mas isso já é outra história...

Cidade do abandono: São Paulo/SP
Local: Taxi Vermelho e Branco
Data: 14/03/2013

domingo, 3 de fevereiro de 2013

AMOR É PROSA SEXO É POESIA


Nem todo mundo gosta do Arnaldo Jabor (1940), talvez porque ele se aventure em tantas searas que fica difícil gostar cem por cento de toda a sua, digamos, produção. Pesquisando a biografia percebi que o homem é cineasta, roteirista, diretor de cinema, produtor cinematográfico, dramaturgo, jornalista, crítico e escritor. Ufa! Eu gosto muito desse livro, o mais famoso dos que escreveu, Amor é Prosa Sexo é Poesia, embora discorde de algumas de suas posições políticas ou ideológicas, consigo separar bem a ‘persona’ da ‘obra’. Faço-o sem o menor preconceito.

Jabor tem uma ligação íntima com o cinema e suas vertentes, mas viu-se obrigado durante o governo Collor a buscar outras mídias devido à decadência do cinema nacional quase imposta pelo então presidente. Foi quando caiu na televisão e nos jornais, suas aparições com textos ótimos, elaborados, cítricos e quase perniciosos sobre a sociedade brasileira que lembravam muito Nelson Rodrigues.

Ao lançar esse livro Arnaldo Jabor o descreveu como “um livro de crônicas afetivas” e anunciou sem pudores que toda mulher é um pouco Madame Bovary e todo homem não tem coração. Confessa sua busca pela beleza na vida, na política, no amor e no sexo. Ele se coloca e se transporta para o tempo em que as namoradas não davam e conta triunfante seu amor nos anos 60 ao lembrar-se da namorada que deu pra ele, com amor e coragem.

A grande maioria, ao ler o título do post vai lembrar a música da Rita Lee baseada justamente na crônica de dá título ao livro, na minha mais humilde opinião não é a melhor da série de crônicas, mas a grande Rita teve a capacidade de pescar o melhor das sentenças e criar um dueto, Amor É... Sexo É... E para quem já amou e já fez sexo nessa vida verá que o livro é entretenimento e a música é deleite.

Se quiser, pode reler o post, agora embalado com a trilha sonora da Rita Lee. É só clicar no play.



Cidade do abandono: Brasília/DF
Local: Aeroporto Internacional de Brasília
Data: 14/03/2013

domingo, 27 de janeiro de 2013

O DIÁRIO DE BRIDGET JONES


Artur Xexéo escreveu a orelha desse livro, com seu texto curto ele conseguiu captar perfeitamente sua essência e porque ele fez tanto sucesso. Xexéo nos instiga a achar o que há de Bridget Jones em nós. Helen Fielding (1958), autoria do livro, é uma expert em comportamento feminino e criou uma personagem quase verídica.

O diário que Bridget começou a escrever após uma resolução de ano novo revela o dia a dia dessa mulher que está na faixa dos 30 anos, é solteira, mora numa cidade grande, jura que quer parar de fumar, beber menos, fazer ginástica, mudar de emprego e encontrar um namorado.

Logo descobriremos também que Bridget desconfia dos livros de autoajuda, mas não consegue conter-se em dar uma olhadinha neles, não sabe cozinhar, mas se esforça em fazer jantares para os amigos somente com o auxílio dos livros de culinária que compra aos montes, sofre por não ganhar presente no dia dos namorados apesar de convencida de que é só mais uma data comercial, ainda se chateia com os homens que não ligam no dia seguinte, banca a mulher independente, mas está sempre pensando no príncipe encantado. Essa é a Bridget, você conhece alguém assim?

Mais uma coisa que você vai descobrir sobre Bridget; ela tem humor. A autora escreve com leveza e Bridget ri de si mesma, ri das suas agruras e das suas neuroses, é uma sobrevivente do pós-feminismo.

Artur Xexéo nos diz: “Aproveite que ela escreveu um diário e divirta-se.”

Eu digo o mesmo, divirta-se com Bridget, veja-se no espelho de Bridget, e depois vá deliciar-se com o excelente filme estrelado pela maravilhosa Renée Zellweger e ganhe de bônus os impecáveis Hugh Grant e Colin Firth.

Cidade do abandono: Salvador/BA
Local: Ponto de ônibus em frente à Sala de Arte Cinema da Ufba
Data: 02/03/2013

domingo, 20 de janeiro de 2013

AMORES POSSÍVEIS


Este livro é um roteiro de cinema escrito pelo Paulo Halm com base no argumento pensado pela Sandra Werneck. É um caso raro de filme que virou livro em função do roteiro tão bem escrito e muito bem transportado para a tela do cinema. Vi o filme pela primeira vez em 2001, ano em que foi lançado, gostei tanto que acabei revendo mais algumas vezes e toda vez que passa no Canal Brasil sou fisgado e não consigo mais mudar de canal. No ano seguinte numa das minhas visitas à FNAC de Pinheiros, em São Paulo, uma verdadeira Disneylândia para aficionados em livros como eu, descobri fuçando as estantes que o roteiro do filme tinha virado livro e o melhor, lindamente encadernado.

Acho genial o argumento do filme/livro, recentemente andei pensando muito no assunto e até comentei sobre isso com minha amiga Cybelle, em um dos nossos almoços durante a semana. O que poderia ter acontecido em nossas vidas caso não tivéssemos tomado tal decisão, ou conhecido tal pessoa, ou feito tal viagem? Parece intrincado ou papo de bêbado, mas, as vésperas de completar 50 anos, já me peguei pensando em diversas situações da minha vida que poderiam ter tomado um caminho completamente diferente. Se pudéssemos ter a opção de viver novamente, você, caro leitor, mudaria alguma coisa ou deixava rolar?

O release da obra diz o seguinte: Carlos espera Julia na porta do cinema durante uma tempestade mas ela não aparece. E se ela tivesse ido? Tudo poderia ser diferente? Então somos apresentados a três possibilidades na vida de Carlos e Julia quinze anos depois, o que poderia ter sido e não foi, as formas de amor que o destino nos presenteia e o que ainda está por vir na vida desse casal.

A leitura é rápida, são 137 páginas, mas tenho certeza que serão noites inteiras de questionamentos, e um ótimo assunto para render uma noitada com amigos e/ou amores.

Cidade do abandono: Salvador/BA
Local: Sala de Arte Cinema da Ufba - Pátio externo
Data: 03/02/2013

domingo, 13 de janeiro de 2013

O CAÇADOR DE PIPAS


Para mim esse livro tem uma carga emocional muito grande. Aqui confesso, caríssimo leitor do blog, que já li O Caçador de Pipas três vezes e em todas elas me emocionei e chorei. Acredito que me emocionarei sempre que o reler não importa a idade que tenha ou sob qual circunstância o faça. A mim ele toca em pontos inimagináveis e a emoção sempre virá.

A história de Amir e Hassan, amigos que cresceram juntos, exatamente como seus pais apesar de serem de etnias, sociedades e religiões diferentes, tiveram uma infância comum, beberam do mesmo leite, brincaram das mesmas brincadeiras, assistiram os filmes, deslumbraram-se com os mesmos personagens e acalentaram o mesmo sonho de ser o grande caçador de pipas. Foi Hassan, mesmo sem querer, que decidiu quem Amir seria durante a famosa batalha da pipa azul, uma pipa que mudaria de forma drástica a vida de todos.

Apesar de não saber ler nem escrever por muitas vezes Hassam era o mais sábio dos meninos, conhecido pela sua coragem e percepção do sentimento das pessoas. Após aquele fatídico dia da competição de pipas Amir teve outra oportunidade de redenção perante Hassam, mas também a desperdiçou. Passados vinte anos, com o Afeganistão já destroçado pelo regime Talibã, o destino prepara para Amir uma nova oportunidade de redimir-se do maior erro de sua vida e livrar-se daquele enjoo que sempre o acompanhava, a náusea que denunciava sua covardia.

Talvez por ser o romance de estreia de Khaled Hosseini (1965) há uma inocência no estilo e na trama que nos remete à infância, seja ela qual for e onde quer que tenha sido vivida. O autor jura que apesar dos fatos históricos serem verdadeiros os personagens são fictícios. Quando o filme foi lançado em 2007 Khaled dedicou sua obra às crianças que vivem no Afeganistão.

Cidade do abandono: Salvador/BA
Local: Edf. Centro Médico Castro Alves - Facimagem
Data: 02/03/2013