domingo, 3 de fevereiro de 2013

AMOR É PROSA SEXO É POESIA


Nem todo mundo gosta do Arnaldo Jabor (1940), talvez porque ele se aventure em tantas searas que fica difícil gostar cem por cento de toda a sua, digamos, produção. Pesquisando a biografia percebi que o homem é cineasta, roteirista, diretor de cinema, produtor cinematográfico, dramaturgo, jornalista, crítico e escritor. Ufa! Eu gosto muito desse livro, o mais famoso dos que escreveu, Amor é Prosa Sexo é Poesia, embora discorde de algumas de suas posições políticas ou ideológicas, consigo separar bem a ‘persona’ da ‘obra’. Faço-o sem o menor preconceito.

Jabor tem uma ligação íntima com o cinema e suas vertentes, mas viu-se obrigado durante o governo Collor a buscar outras mídias devido à decadência do cinema nacional quase imposta pelo então presidente. Foi quando caiu na televisão e nos jornais, suas aparições com textos ótimos, elaborados, cítricos e quase perniciosos sobre a sociedade brasileira que lembravam muito Nelson Rodrigues.

Ao lançar esse livro Arnaldo Jabor o descreveu como “um livro de crônicas afetivas” e anunciou sem pudores que toda mulher é um pouco Madame Bovary e todo homem não tem coração. Confessa sua busca pela beleza na vida, na política, no amor e no sexo. Ele se coloca e se transporta para o tempo em que as namoradas não davam e conta triunfante seu amor nos anos 60 ao lembrar-se da namorada que deu pra ele, com amor e coragem.

A grande maioria, ao ler o título do post vai lembrar a música da Rita Lee baseada justamente na crônica de dá título ao livro, na minha mais humilde opinião não é a melhor da série de crônicas, mas a grande Rita teve a capacidade de pescar o melhor das sentenças e criar um dueto, Amor É... Sexo É... E para quem já amou e já fez sexo nessa vida verá que o livro é entretenimento e a música é deleite.

Se quiser, pode reler o post, agora embalado com a trilha sonora da Rita Lee. É só clicar no play.



Cidade do abandono: Brasília/DF
Local: Aeroporto Internacional de Brasília
Data: 14/03/2013

domingo, 27 de janeiro de 2013

O DIÁRIO DE BRIDGET JONES


Artur Xexéo escreveu a orelha desse livro, com seu texto curto ele conseguiu captar perfeitamente sua essência e porque ele fez tanto sucesso. Xexéo nos instiga a achar o que há de Bridget Jones em nós. Helen Fielding (1958), autoria do livro, é uma expert em comportamento feminino e criou uma personagem quase verídica.

O diário que Bridget começou a escrever após uma resolução de ano novo revela o dia a dia dessa mulher que está na faixa dos 30 anos, é solteira, mora numa cidade grande, jura que quer parar de fumar, beber menos, fazer ginástica, mudar de emprego e encontrar um namorado.

Logo descobriremos também que Bridget desconfia dos livros de autoajuda, mas não consegue conter-se em dar uma olhadinha neles, não sabe cozinhar, mas se esforça em fazer jantares para os amigos somente com o auxílio dos livros de culinária que compra aos montes, sofre por não ganhar presente no dia dos namorados apesar de convencida de que é só mais uma data comercial, ainda se chateia com os homens que não ligam no dia seguinte, banca a mulher independente, mas está sempre pensando no príncipe encantado. Essa é a Bridget, você conhece alguém assim?

Mais uma coisa que você vai descobrir sobre Bridget; ela tem humor. A autora escreve com leveza e Bridget ri de si mesma, ri das suas agruras e das suas neuroses, é uma sobrevivente do pós-feminismo.

Artur Xexéo nos diz: “Aproveite que ela escreveu um diário e divirta-se.”

Eu digo o mesmo, divirta-se com Bridget, veja-se no espelho de Bridget, e depois vá deliciar-se com o excelente filme estrelado pela maravilhosa Renée Zellweger e ganhe de bônus os impecáveis Hugh Grant e Colin Firth.

Cidade do abandono: Salvador/BA
Local: Ponto de ônibus em frente à Sala de Arte Cinema da Ufba
Data: 02/03/2013

domingo, 20 de janeiro de 2013

AMORES POSSÍVEIS


Este livro é um roteiro de cinema escrito pelo Paulo Halm com base no argumento pensado pela Sandra Werneck. É um caso raro de filme que virou livro em função do roteiro tão bem escrito e muito bem transportado para a tela do cinema. Vi o filme pela primeira vez em 2001, ano em que foi lançado, gostei tanto que acabei revendo mais algumas vezes e toda vez que passa no Canal Brasil sou fisgado e não consigo mais mudar de canal. No ano seguinte numa das minhas visitas à FNAC de Pinheiros, em São Paulo, uma verdadeira Disneylândia para aficionados em livros como eu, descobri fuçando as estantes que o roteiro do filme tinha virado livro e o melhor, lindamente encadernado.

Acho genial o argumento do filme/livro, recentemente andei pensando muito no assunto e até comentei sobre isso com minha amiga Cybelle, em um dos nossos almoços durante a semana. O que poderia ter acontecido em nossas vidas caso não tivéssemos tomado tal decisão, ou conhecido tal pessoa, ou feito tal viagem? Parece intrincado ou papo de bêbado, mas, as vésperas de completar 50 anos, já me peguei pensando em diversas situações da minha vida que poderiam ter tomado um caminho completamente diferente. Se pudéssemos ter a opção de viver novamente, você, caro leitor, mudaria alguma coisa ou deixava rolar?

O release da obra diz o seguinte: Carlos espera Julia na porta do cinema durante uma tempestade mas ela não aparece. E se ela tivesse ido? Tudo poderia ser diferente? Então somos apresentados a três possibilidades na vida de Carlos e Julia quinze anos depois, o que poderia ter sido e não foi, as formas de amor que o destino nos presenteia e o que ainda está por vir na vida desse casal.

A leitura é rápida, são 137 páginas, mas tenho certeza que serão noites inteiras de questionamentos, e um ótimo assunto para render uma noitada com amigos e/ou amores.

Cidade do abandono: Salvador/BA
Local: Sala de Arte Cinema da Ufba - Pátio externo
Data: 03/02/2013

domingo, 13 de janeiro de 2013

O CAÇADOR DE PIPAS


Para mim esse livro tem uma carga emocional muito grande. Aqui confesso, caríssimo leitor do blog, que já li O Caçador de Pipas três vezes e em todas elas me emocionei e chorei. Acredito que me emocionarei sempre que o reler não importa a idade que tenha ou sob qual circunstância o faça. A mim ele toca em pontos inimagináveis e a emoção sempre virá.

A história de Amir e Hassan, amigos que cresceram juntos, exatamente como seus pais apesar de serem de etnias, sociedades e religiões diferentes, tiveram uma infância comum, beberam do mesmo leite, brincaram das mesmas brincadeiras, assistiram os filmes, deslumbraram-se com os mesmos personagens e acalentaram o mesmo sonho de ser o grande caçador de pipas. Foi Hassan, mesmo sem querer, que decidiu quem Amir seria durante a famosa batalha da pipa azul, uma pipa que mudaria de forma drástica a vida de todos.

Apesar de não saber ler nem escrever por muitas vezes Hassam era o mais sábio dos meninos, conhecido pela sua coragem e percepção do sentimento das pessoas. Após aquele fatídico dia da competição de pipas Amir teve outra oportunidade de redenção perante Hassam, mas também a desperdiçou. Passados vinte anos, com o Afeganistão já destroçado pelo regime Talibã, o destino prepara para Amir uma nova oportunidade de redimir-se do maior erro de sua vida e livrar-se daquele enjoo que sempre o acompanhava, a náusea que denunciava sua covardia.

Talvez por ser o romance de estreia de Khaled Hosseini (1965) há uma inocência no estilo e na trama que nos remete à infância, seja ela qual for e onde quer que tenha sido vivida. O autor jura que apesar dos fatos históricos serem verdadeiros os personagens são fictícios. Quando o filme foi lançado em 2007 Khaled dedicou sua obra às crianças que vivem no Afeganistão.

Cidade do abandono: Salvador/BA
Local: Edf. Centro Médico Castro Alves - Facimagem
Data: 02/03/2013

domingo, 6 de janeiro de 2013

O CÓDIGO DA VINCI


Eu acho o Dan Brown (1964) um gênio. Alguns podem até fazer um bico para a frase anterior, mas acho a sua escrita fenomenal. Não só pelo conhecimento que adquirimos ao ler seus livros, também porque de alguma forma podemos até achar que suas teorias são bem verossímeis, mas principalmente porque sua escrita tem um ritmo alucinante e é difícil não cair em tentação para ler o próximo capítulo.

Em 2013 o livro O Código Da Vinci completa dez anos de lançado com a marca de mais de 80 milhões de cópias vendidas, uma adaptação para o cinema em 2006 e a marca de ser o décimo primeiro livro mais vendido no mundo. Números a parte confesso que quando o li tornei-me imediatamente fã do autor, cacei suas obras anteriores e não perdi nenhum novo lançamento. É claro que nem tudo são flores e há algumas obras cujo ritmo não é o mesmo, mas acredito no estilo do autor.

Tudo começa quando Robert Langdon é chamado para ver um corpo assassinado no interior do museu do Louvre. Seu nome foi citado numa tentativa da vítima para proteger um segredo de uma sociedade secreta desde os tempos de Jesus Cristo. No museu, Robert conhece Sophie Neveu pouco antes de saber que ele é o principal suspeito do assassinato. Robert e Sophie saem em busca da solução dos intrincados quebra-cabeças deixados pela vítima que talvez venha a revelar um segredo milenar que envolve a Igreja Católica, a Opus Dei, irmandades como a do Priorado do Sião, os Cavaleiros Templários, os Iluminatti, a Maçonaria, e que resvalaria na relação entre Jesus Cristo e Maria Madalena.

Tudo isso é recheado com um enorme conhecimento da obra de Leonardo Da Vinci e seus quadros mais famosos e não é à toa que o museu do Louvre foi escolhido como o cenário inicial do livro.

Se você não viu o filme vença a tentação de fazê-lo antes de ler o livro. Infelizmente nem o Ton Hanks é capaz de salvar um roteiro equivocado. Com certeza você levará mais de duas horas e vinte, duração do filme, para ler o livro, mas tenha a certeza de que será infinitamente melhor.

Cidade do abandono: Salvador/BA
Local: Recepção - Edf. Christian Bernard - Cidade Jardim
Data: 24/02/2013

sábado, 29 de dezembro de 2012

LEITE DERRAMADO


Não é novidade que o cantor/compositor Chico Buarque (1944) escreva livros, desde 1974 lançou-se como escritor com Fazenda Modelo. De lá pra cá Chico amadureceu o viés literário e vieram obras como Estorvo, 1991, Benjamim, 1995, e o excelente Budapeste, 2003. Sua obra musical é inquestionável e recentemente ele mesmo surpreendeu-se em saber que mesmo sendo inquestionável não agrada a cem por cento das pessoas.

Em 2009 Chico lançou Leite Derramado e vários críticos e blogueiros questionaram o livro como uma obra ‘menor’. Algumas críticas foram contundentes, outras buscaram valorizar sua música em detrimento da literatura, e várias me fizeram até rir, como a que achava absurdo um livro contar uma saga familiar em apenas 195 páginas. O crítico acha que o autor tem uma história rasa por causa da quantidade de páginas que o livro possui.

Eulálio conta sua história num leito de hospital, é um velho moribundo, fala para quem quiser ouvir e conta em um tom que pode ser realístico, de delírio ou sonho a história de sua família, ou linhagem com ele mesmo se expressa. Desde os ancestrais portugueses, passando pelo tempo do império, a primeira república, até chegar ao tataraneto, garotão do Rio de Janeiro atual. Tudo para demonstrar a derrocada social e econômica em que vive aproveitando-se da história do Brasil dos últimos dois séculos como pano de fundo.

Talvez o que mais estranhem os críticos seja mesmo a linguagem que Chico impõe. Na minha mais humilde opinião o livro é como um vídeo clip, um filme, um curta metragem. Que se lê rápido e sente saudade, sente curiosidade para saber o que mais aconteceu, mais detalhes dos fatos, mais histórias. Foi assim comigo.

Cidade do abandono: Salvador/BA
Local: Supermercado Bompreço - Centenário
Data: 23/02/2013

domingo, 23 de dezembro de 2012

O LIVRO DO BONI


Quando a editora Casa da Palavra finalmente lançou em 2011 ‘O Livro do Boni’, e essa notável figura chamada José Bonifácio de Oliveira Sobrinho (1935) percorreu todos os programas televisivos de entrevistas, falou com jornais de todo o Brasil, viajou por muitas capitais para tardes/noites de autógrafos e o livro sumiu das livrarias em virtude da grande procura, eu fiz cara feia e até achei, na minha total ignorância, que não valia apena tanto estardalhaço.

Entretanto, por uma feliz intervenção do destino, acabei por ganhar de presente um exemplar no Natal daquele mesmo ano. Tenho um pacto com minha tia Liane, que é também minha madrinha de batismo e emprestadora oficial de livros desde priscas eras, de só presentear livros um ao outro seja no aniversário, Natal ou a qualquer tempo por um simples gesto de carinho. Numa das muitas viagens que fiz esse ano levei o livro comigo por dois motivos: primeiro porque era grosso e eu morro de medo de terminar um livro em pleno voou, e segundo porque os capítulos são curtos e eu gosto de obedecer ao critério do autor e não faço paradas abruptas na leitura de um capítulo.

A essa altura eu já tinha vencido o mau humor inicial do excesso de mídia sobre a obra e pude, sem preconceitos, deliciar-me com uma história real contada com muito humor, sobre uma personalidade tão rica, profissional e inteligente. O menino precoce que se apaixonou pelo rádio, descobre seu dom para a publicidade e esta o leva naturalmente para a televisão numa época em que tudo era novo e experimental, nada mais desafiador para a personalidade do biografado.

Com o passar das páginas percebi que o Boni fez parte da minha vida, e de maneira muito significativa para o bom e para o discernimento de dizer “não gostei”. Chacrinha, Dercy, Janete Clair, os festivais da canção, Regina e Couco, Tarcísio e Glória, Chico Anysio, Jô Soares, as novelas, as minisséries, Glória Pires, Fagundes, Tony, Malu, o plim plim e até a Globeleza. Pode chutar o balde quem não passou por isso...

Cidade do abandono: Salvador/BA
Local: Perini Barra
Data: 13/02/2013

sábado, 15 de dezembro de 2012

O CANTO DA SEREIA


Nelson Motta (1944) todos conhecem, jornalista, compositor, produtor musical e artístico, escreveu alguns livros, aqui mesmo já registrei uma obra sua sobre a vida do Tim Maia, mas há também Nova York é Aqui, Confissões de um Torcedor e o excelente Noites Tropicais. Agora aventura-se a escrever ficção e seu livro de estreia é O Canto da Sereia – Um Noir Baiano. Nelson é aficionado por música, arte e costumaz devorador de livros policiais, então sua primeira obra de ficção não poderia deixar de ser sobre esse universo, e para apimentar mais a história tudo se passa em Salvador no último dia de carnaval.

Tudo gira em torno do assassinato de Sereia, uma jovem rica, loira, estrela do axé, mulher exuberante e cobiçada. Sereia leva um tiro enquanto cantava em cima de um trio elétrico em plena avenida numa terça feira gorda de carnaval e a partir daí surge Agostinho Matoso, mais conhecido como Augustão, com toda sua baianidade aflorada para desvendar o mistério. Ele não poupa ninguém, os produtores de Sereia, a empresária, o chefe político local e até a mãe de santo mais poderosa da Bahia, todos serão alvo de investigação e terão suas vidas vasculhadas pelo detetive, capaz de cometer algumas irresponsabilidades para atingir seus objetivos já que não vive sem sexo, camisas floridas, aquela cerveja gelada, Miles Davis, Jorge Bem Jor, ensaios do Olodum e um baseado para ajudar a matutar e decifrar o crime que paralisou o Brasil.

Os direitos dessa obra foram vendidos para a Globo e em janeiro teremos uma micro série adaptada do livro para a tela da TV, portanto o tempo urge para a leitura desse romance policial engraçado com ares de final de novela quando todos se perguntam: Quem matou?

É um livro divertido, leitura descompromissada ideal para essa época de verão, praia, férias. Puro entretenimento.

Cidade do abandono: Salvador/BA
Local: Camarote Daniela Mercury
Data: 10/02/2013

domingo, 9 de dezembro de 2012

A CASA DOS BUDAS DITOSOS



Quando assisti ao espetáculo A Casa do Budas Ditosos, com a brilhante atuação da Fernanda Torres, além de me surpreender com a desenvoltura da atriz que controlava uma plateia de quase mil pessoas sozinha no palco, descobri lendo o programa da peça que o texto recheado de sexo e sarcasmo era do João Ubaldo Ribeiro (1941) e faz parte de uma série sobre os sete pecados capitais intitulada ‘Plenos Pecados’ capitaneada pela editora Objetiva que reuniu vários nomes da literatura brasileira e deu-lhes um “pecado” como tema para desenvolver uma obra.

Ficou óbvio para mim após assistir a peça que o texto de A Casa dos Budas Ditosos representava a luxuria. O livro revela a história de CLB, iniciais do nome de uma hoje senhora de 68 anos nascida da Bahia, mas residente no Rio de Janeiro, que viveu todos os prazeres, fantasias e infinitas possibilidades do sexo sem qualquer julgamento, moralidade ou resquícios de culpa. É um relato em forma de memórias de uma mulher intensa, livre e vivida. No teatro há momentos em que se pode ver a plateia corada, com gargalhadas estridentes e por várias vezes com o riso envergonhado, enrubescido. Sexo é assunto bom, rende conversa, mas também é tabu, não se confessa assim tão abertamente tudo que se faz. Ao ler em casa, solitariamente, você exercita desejos inconfessáveis da sua libido, mas também se pergunta como é possível tamanha liberdade sem nenhuma culpa, e que preço há de se pagar por tanto prazer.

O próprio João Ubaldo abre o livro informando aos leitores que recebeu os originais do texto num envelope entregue na portaria do seu prédio autorizando-o a publicar como se fosse seu, e assim o assina como um corretor e organizador da transcrição recebida isentando-se da culpa por escrever tamanha libertinagem e deixando o leitor sem nunca saber se o relato dessa senhora é verídico ou tudo não passa de uma brincadeira do autor.

É um livro curto, 163 páginas com letras grandes, ótimo para começar uma brincadeira com um grupo de amigos, ou ficantes, mais liberais. Cada um lê um capítulo dando a interpretação que quiser, aposto minha biblioteca inteira que o clima vai esquentar.

Para quem quiser ler os outros da série aqui vai:
O Vôo da Rainha – Soberba – Tomás Eloy Martínez
O Clube dos Anjos – Gula – Luis Fernando Verissimo
Xadez, Truco e Outras Guerras – Ira – José Roberto Torero
Mal Secreto – Inveja – Zuenir Ventura
Canoas e Marolas – Preguiça – João Gilberto Noll
Terapia – Avareza – Ariel Dorfman

Cidade do abandono: Salvador/BA
Local: Restaurante Porto do Mar
Data: 09/02/2013

sábado, 1 de dezembro de 2012

AS ESGANADAS


Faz muito tempo, muito tempo mesmo, o ano era 1985 e eu lia pela primeira vez um livro de contos piadistas escrito pelo então ator da Globo Jô Soares (1938). O livro era despretensioso e chamava-se ‘O Astronauta sem Regime’, uma galhofa do autor com o seu próprio peso. A editora L&PM faturou muito com a obra que vendeu mais que banana na feira.

Passados 27 anos Jô Soares saiu e voltou para a Globo, aparece como ator em breves e raras oportunidades, possui um talk show de sucesso e já escreveu sete livros, cinco deles em carreira solo. Na minha mais humilde opinião acho que o Jô tem uma carreira irregular como escritor, os livros alternam-se entre ótimos, bons e ruins.

Sua mais recente obra, As Esganadas, que pretendo abandonar, segue a mesma linha editorial que o autor consegue fazer muito bem, livros policialescos que misturam fatos da história real com a fictícia inventividade do autor. Nesse livro Jô consegue a proeza de revelar o assassino logo nos primeiros capítulos, inclusive suas motivações psicológicas, ou psicanalíticas como preferem alguns, sem que isso nos faça perder o interesse pela leitura. A descrição primorosa das vítimas nos faz cúmplices, as trapalhadas da polícia nos faz rir, e por fim vibrar com as deduções de Tobias Esteves, inspetor português que ajuda o delegado Noronha a desmascarar o autor dos crimes.

O prefácio escrito por Luis Fernando Veríssimo nos dá uma excelente dica: “Jô é um grande fazedor de tipos. Sabe como poucos construir um personagem, defini-lo com um detalhe e dar-lhe vida com graça e inteligência... Toda a ficção do Jô é feita de grandes personagens envolvidos em grandes tramas.”

Eu concordo... Mas só de vez em quando.

Cidade do abandono: Salvador/BA
Local: Restaurante Shiro
Data: 03/02/2013