terça-feira, 1 de novembro de 2011

A FILHA PRÓDIGA


Não é novidade no blog e já escrevi muito sobre continuações, ou sequências como as editoras gostam de nomear. Então aproveito para abandonar uma continuação que, na minha modestíssima opinião, é excelente. Curiosamente eu comecei a ler no dia seguinte ao término de Caim & Abel. Não tenho idéia se o Jeffrey Archer o escreveu por força da editora, ou por causa do sucesso do livro anterior, mas exatos três anos depois do lançamento de Caim & Abel ele nos brinda com A Filha Pródiga. Poderia ser ruim, mas não o é, poderia ser repetitivo, mas isso passa ao longe, e poderia ser enfadonho, mais do mesmo, mas Jeffrey nos brinda com ótimas surpresas.
No primeiro livro os protagonistas são Abel e William, dois magnatas poderosos, e a história de seus filhos Florentyna e Richard, respectivamente, é recortada pelas vidas dos pais e tem mais destaque no momento em que se apaixonam, casam e são deserdados.
A Filha Pródiga narra a trajetória obstinada Florentyna Rosnovski, garota decidida, rica, bonita, inteligente, que traça desde muito cedo um plano ambicioso para sua vida, o de tornar-se a primeira mulher a chegar à Presidência dos Estados Unidos. O livro também é uma saga e vai de 1934 até o ano de 1995 numa ritmada sucessão de episódios em que conhecemos o temperamento rebelde da garota que nem a governanta inglesa nem as professoras conseguem dominar. O ápice da rebeldia vem quando ela aceita o pedido de casamento do filho do maior inimigo do deu pai e é a partir daí que vemos a determinação dessa mulher para conquistar o seu destino.
Um mérito importante tenho que conceder ao autor, o ano era de 1982 e o livro descortina e descreve de maneira muito convincente e clara os meandros da política contemporânea e o quanto uma mulher pode ser subestimada.
Cidade do abandono: Salvador/BA
Local: Louge Salvador Shopping - 1. Piso
Data: 26/02/2012

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

CAIM & ABEL


Abel Rosnovski, polonês, filho ilegítimo, nasce numa floresta em Slonim e sua mãe morre no parto. É adotado por uma família pobre e criado junto com outros seis irmãos. Sobrevive às dificuldades da infância e aos horrores da Primeira Guerra Mundial. Imigra para os Estados Unidos onde faz fortuna e torna-se proprietário de uma poderosa cadeia de hotéis.
William Kane, americano, de uma tradicional família de banqueiros de Boston, é formado para comandar um império financeiro. Herda a fortuna do pai e assume a presidência do banco, luta com todas as armas para transformá-lo em uma das mais importantes instituições financeiras do mundo.

Acha que falei tudo? Que nada, ainda falta muito.
Ao longo de 65 anos, tendo como pano de fundo um panorama histórico das transformações da sociedade, dos costumes e da política do século XX, Kane e Abel crescem, casam, tem filhos, experimentam fracassos, vitórias, passam por dramas pessoas e profissionais e, após uma sucessão de acontecimentos engenhosamente encadeados por Jeffrey Archer, os dois homens encontram-se finalmente para se transformarem em obcecados inimigos, cada qual decidido a destruir o outro e assim preservar suas conquistas.
Você já leu uma saga? Dessas que narram uma vida inteira? Não? Então se prepare para essa tarefa. O livro que vou abandonar é resultado da aguçada observação da realidade e da intensa pesquisa histórica do autor. Existe uma lenda de que Jeffrey Archer chegou a escrever dezoito versões do livro antes de entregar os originais aos editores. E não deve ter sido uma tarefa fácil, afinal são 575 páginas escritas com um estilo ágil, direto e cheio de reviravoltas. Jeffrey pode ter levado um tampão para escrever, mas eu não consegui largar o livro e o devorei em três dias.
Cidade do abandono: Salvador/BA
Local: Garagem 2 - Salvador Shopping
Data: 22/01/2012

domingo, 16 de outubro de 2011

DIÁRIO DE UM LADRÃO


Se Jean Genet (1910-1986) estivesse vivo seria um ótimo blogueiro. Aposto minha edição de Memórias de Adriano que seu blog seria mais famoso que o da Bruna Surfistinha, e Diário de um Ladrão seria um livro mais comentado do que o pobre O Doce Veneno do Escorpião. Embora eu compartilhe da opinião de que cada época é diferente e produziu suas obras dentro dos recursos disponíveis, e por isso mesmo importantíssimos como retrato, ou relato, e a partir daí temos a história, fico por vezes a pensar em autores já falecidos vivenciando os recursos atuais e com as devidas liberdades disponíveis dos dias de hoje.
Esse é o caso de Jean Genet, cuja contracapa do livro o enquadra como “ladrão, homossexual e prostituto”. Três alcunhas carregadas de emoção, preconceito e violência. Já eu prefiro o epíteto de escritor, poeta e dramaturgo, e por esse mote você já percebe que Jean Genet não foi uma unanimidade, muito pelo contrário, era controverso e polêmico. Com tantos adjetivos você também já sabe que terá de ser como São Tomé, ler suas obras para tirar suas próprias conclusões.
Diário de um Ladrão é um mix de autobiografia com livro de memórias, adicionadas aqui e acolá várias pitadas de devaneio do próprio autor, passagens que você não sabe se são verdadeiras ou se são versões do autor para os fatos ocorridos. Genet narra suas andanças por vários países da Europa, seus encontros e amores com os mais variados tipos de marginais e, ao conferir uma dimensão quase heróica à criminalidade, ele se transforma numa espécie de ‘santo às avessas’, ou como preferem alguns, um ‘anjo do mal’. Suas cenas são descritas com crueza e violência, embaladas por cenários de extrema pobreza e conduzidos por caminhos tortuosos de amor e sexo bruto.
Jean-Paul Sartre, muito amigo de Genet, afirmou que Diário de um Ladrão deve ser lido como um livro poético, assim como O Balcão, As Criadas e Nossa Senhora das Flores. Ler essa obra requer um olhar diferente, sem pré julgamento, com a alma aberta para tentar compreender uma época, um conceito, um modo de vida, um exemplo a ser seguido... Ou não.
Cidade do abandono: Salvador/BA
Local: Estacionamento Perini - Graça
Data: 18/12/2011

domingo, 9 de outubro de 2011

MACUNAÍMA


Na sexta-feira passada ao sair do trabalho passei no shopping aqui perto de casa e por curiosidade, juro que não pretendia comprar nada, entrei na livraria. Bem, a curiosidade se refletiu em duas compras; a primeira foi o livro de memórias do Ricardo Amaral chamado Vaudeveille que comecei a ler ontem e estou aproveitando a leitura para malhar bíceps uma vez que o livro é um tijolão de 500 páginas. Mas o que isso tem a ver com o blog? Calma.
A segunda compra foi ao acaso, passando pela estante cujo tema era ‘Clássicos’ fiquei a pensar nos títulos que eles consideraram como tal. Eu sempre me empolgo com aquelas listas sobre os 100, ou os 1000 livros que você deve ler antes de morrer e em geral me sinto um obtuso porque vejo que não li nem metade do recomendado, mas eu sigo em frente lendo o que me cai às mãos sem seguir uma regra ou uma lista publicada sabe-se lá com que critério. Mas o que isso tem a ver com o blog? Calma.
A estante estava realmente cheia de clássicos: Guerra e Paz, Édipo Rei, Decamerão, O Pequeno Príncipe, Os Três Mosqueteiros, Crime e Castigo, O Velho e o Mar, 1984, A Peste, Os Lusíadas, Ensaio Sobre a Cegueira, A Hora da Estrela, Os Sertões, O Tempo e o Vento... etc., e Macunaíma. Este último me chamou à atenção.
Já falei aqui sobre o Mário de Andrade, post Contos Novos em 20/08/2011, mas confesso que não resisti e comprei o livro só para abandoná-lo, fato inédito até aqui uma vez que abandono meus próprios livros, lidos, relidos, e por vezes cheios de anotações. Acontece que o meu Macunaíma é de novembro de 1981, com várias anotações depois que vi o filme, e este vou deixar para a posteridade. O que me chamou à atenção na época e chama até hoje é que Macunaíma é um anti-herói, um herói sem nenhum caráter, safado, mentiroso, traidor, além de extremamente preguiçoso. O livro é voltado para uma ótica cômica, critica o romantismo, utiliza-se dos mitos indígenas, das lendas, provérbios do povo brasileiro e registra alguns aspectos do folclore do país até então pouco conhecidos, lembrando que foi escrito em 1928. É uma obra surrealista, onde se encontram aspectos ilógicos e fantasiosos. Apresenta críticas implícitas à miscigenação étnica (raças) e religiosa (catolicismo, paganismo, candomblé) e uma crítica maior à linguagem culta já vista no Brasil.
Macunaíma está na minha memória como um dos clássicos da literatura brasileira, vale à pena aventurar-se.

PS: Na edição que comprei para abandonar há um capítulo extra intitulado “Para Entender Macunaíma” que traz um panorama sobre a escrita do livro e fatos que marcaram a vida do escritor Mário de Andrade fazendo com que o leitor atual identifique as vertentes modernistas que marcaram a época.
Cidade do abandono: Salvador/BA
Local: Sala de Arte - Cinema da UFBA
Data: 18/12/2011

domingo, 25 de setembro de 2011

DE BAR EM BAR


A escolha desse livro é proposital, ainda estou pensando muito sobre as relações humanas. A primavera já chegou e os jornais, telejornais, internet, revistas, foram invadidos pelas flores, abelhas voando, casais de namorados, e por aquele ar de amor que a primavera traz e o verão consolida. Se no post anterior eu falei sobre a história de um homem mais velho na busca pelo amor agora publico outro lado, uma mulher jovem de vinte e oito anos que é assassinada exatamente por causa da mesma busca.
Ao ler num jornal a descrição de um brutal assassinato que ocorrera em Nova York na noite de Natal de 1973, Judith Rossner (1935-2995) teve a idéia de construir um romance baseado naquele fato real. Primeiro procurou seu editor e vendeu-lhe a idéia, depois passou meses pesquisando os arquivos dos jornais e percorrendo os bares de Nova York. O resultado foi a publicação de "De Bar em Bar", no original com o título de Looking for Mr. Goodbar, que resultou um dos maiores fenômenos editoriais dos anos 70. A história de uma mulher solitária que anda pelos bares em busca de homens para sair do seu estado de depressão e isolamento, e que morre tragicamente. O livro vendeu dois milhões de exemplares e foi adaptado para o cinema com relativo sucesso. ”De bar em bar” aborda com inteligência a situação das mulheres descasadas numa cidade grande.
A trajetória de Theresa Dunn, professora dedicada que trabalha numa escola para crianças surdas durante o dia e que à noite abandona a imagem de moça bem comportada buscando em bares de Nova York uma companhia para noites solitárias. Uma mulher que foi muito reprimida sexualmente e procura o prazer nos braços de homens desconhecidos é encontrada morta em seu apartamento, uma história de solidão e violência desencadeada sem nenhuma razão aparente. O livro foi escrito em 1975, passados 36 anos desde a sua primeira edição parece que li a notícia no jornal de ontem.
Todos buscam relacionamentos mas ainda não encontramos uma fórmula de amor ideal, estamos cada vez mais expostos na TV e nas redes sociais nos tornamos mini celebridades, já temos remédios que proporcionam a sensação de felicidade, estamos cada vez mais conectados para ter a sensação de que estamos em todos os lugares e que não perdemos nada do que acontece, fotografamos nossas vidas e a expomos, do prato na mesa ao pôr do sol... Temos tudo isso e ainda estamos sós. Ficção?
Cidade do abandono: Salvador/BA
Local: Pátio esterno - Sala de Arte - Cinema da UFBA
Data: 18/12/2011

sábado, 17 de setembro de 2011

UM AMOR


Não sei se inspirado na primavera que começa na próxima semana, ou talvez sugestionado por uma peça de teatro que assisti ontem chamada Alugo Minha Língua, com um ótimo texto de Gil Vicente Tavares e uma direção precisa de Fernando Guerreiro, mas o fato é que amanheci com essa sensação de falta de amor, ou desamor, ou será solidão de amor? Isso me inspirou a procurar um livro específico dentre os muitos que tenho para abandonar chamado “Um Amor”. Assim como a primavera traz a temporada do acasalamento, a peça que assisti ontem falava sobre a banalização do erotismo em contrapartida das relações humanas, Dino Buzzati (1906 – 1972) conta a história da solidão, do desamor, da dor do amor, ou tudo junto como no Caldeirão do Huck.
Antonio Dorigo, personagem principal, um arquiteto cinqüentão já realizado profissionalmente, conhece a jovem prostituta Laide, que lhe desperta um interesse fora do normal. Em pouco tempo, ele é seduzido pelas histórias mirabolantes da moça, e sua curiosidade inicial se transforma numa paixão avassaladora. Obcecado por todos os detalhes da vida de Laide, Dorigo se envolve num mundo de mentiras e mistérios no qual vai se perder como nunca imaginou ser possível. É a solidão em que vive, e que finge ignorar, que o leva a interessar-se por ela, de querer um pouco mais daquela mulher tão ambígua que lhe concede intimidade com hora marcada. Em outras palavras, ele sente a necessidade de conhecer alguém além de um corpo, a necessidade de partilhar seus sentimentos e se entregar a um amor.
Mas, pensando bem, Um Amor é também a história de um processo de saturação, pois, a partir de certo momento Dorigo se dá conta de uma vida emocional marcada pelo vazio profundo, pela falta de um relacionamento significativo que lhe suprisse as carências mais fortes, ignoradas até a aparição de Laide quando se impõem com toda força. Ela o fará sofrer, e ao se ver sofrendo ele se impõe o auto controle, caminho confortável que trilhou por toda a vida e neste momento sente-se aliviado, mas a tristeza é impiedosa, ele sabe que voltou a ser novamente só, querer controlar o amor é impossível e por isso vai perde-lo, e ao perder o amor perderá também a possibilidade de superar a solidão.
Dino Buzzati escreveu Um Amor quando já era um homem maduro, e o romance tem algo de inspiração autobiográfica. Buzzati também se apaixonou por uma mulher muito mais jovem, Almerina Antoniazzi, com quem viria a se casar em 1966.
Cidade do abandono: Salvador/BA
Local: Ponto de Ônibus - Sala de Arte - Cinema da UFBA
Data: 18/12/2011

domingo, 11 de setembro de 2011

A FOGUEIRA DAS VAIDADES


Já escrevi aqui algumas vezes que um bom livro pode tornar-se um péssimo filme e vice versa. Definitivamente a primeira opção acima é o caso de A Fogueira das Vaidades, mesmo contando com Tom Hanks, Bruce Willis, Melanie Griffith e o genial Morgan Freeman no elenco, e uma produção caprichada, a direção de Brian De Palma não salvou um roteiro chato. E o que nos restou? A Fogueira das Vaidades recebeu cinco indicações ao Framboesa de Ouro, nas categorias Pior Filme, Pior Diretor, Pior Atriz, Pior Atriz Coadjuvante e, claro, Pior Roteiro.
Tom Wolfe teve a infelicidade de ver seu exelente livro de mais de 600 páginas decupado, cortado, aviltado, e a excelente história narrada de uma forma brilhante foi execrada pela crítica.
Mas do que trata essa obra? Wolfe nos apresenta Sherman McCoy, jovem executivo de 38 anos, morador da ilha de Manhattan, rico, por vezes divertido, que curte a vida, a bela casa, carros de luxo e mulheres. Ao voltar com sua amante do aeroporto ele se perde na auto estrada errando o caminho que o levaria de volta a Manhattan e atropela um jovem negro debaixo de um viaduto no Bronx, a quem precipitadamente julgou ser um assaltante. Flagrado por um reporter, Sherman vê sua vida de yuppie bem sucedido transofrmar-se num jogo de poder, um cabo de força entre a extrema riqueza e a extrema pobreza, margeados por convenções muito particulares de quem se julga superior e acaba tendo sua presunção exposta. A partir daí Sherman McCoy também se transforma em vítima da sua própria presunção, da polícia, da justiça, da politicagem, da mídia, da família, do dinheiro e por aí vai.
O livro é uma corrosiva sátira sobre o poder dos ricos e dos políticos, e como esse poder é utilizado para abafar os podres em suas vidas pessoais, o retrato de uma Nova York dos idos anos 80.
Cidade do abandono: Salvador/BA
Local: Estacionamento da Associação Atlética da Bahia
Data: 11/12/2011

terça-feira, 30 de agosto de 2011

SODOMA E GOMORRA


Se alguém te pergunta “Você já leu Proust?” você disfarça e muda de assunto, tem uma paralisia facial e acaba no hospital, prova que é um erudito e começa a falar do gênio literário nascido no século 19, ou simplesmente diz “Não li”.
Pois é, a grande maioria da população acha que Marcel Proust (1871-1922) é para poucos, um escritor de livros complicados e muito rebuscados para simples mortais, deixando assim uma obra maravilhosa esquecida, largada nas bibliotecas ou frequentando as estantes dos cenários de novela. Afinal, ter Prost na estante da muita moral.
Mas o que tem essa obra que assusta tanto? Acho que sei, ou melhor, tenho minhas desconfianças. Não é uma obra de leitura fácil, mas também não é ininteligível, é uma escrita rebuscada, mas isso se deve ao aspecto balzaquiano e romanesco e isso é porque foi uma obra trabalhada e retrabalhada. O livro que vou abandonar é o quarto volume da série “Em Busca do Tempo Perdido” que foi publicada entre 1913 e 1927, mesmo depois da morte do autor, foi escrita grande parte durante a Primeira Guerra, com as editoras fechadas, dando a oportunidade para Proust poder aprofundar a estrutura do romance e todas as suas complexidades.
Em relação à temática, o livro traz até nós a profundidade e a sensibilidade de Marcel Proust que, assim como Virginia Wolf e Clarice Lispector, faz do seu romance Sodoma e Gomorra um desbravamento da alma e nós, que nos julgamos tão perfeitos e insubstituíveis, ficamos reduzidos à metade diante de revelações avassaladoras. E como se estivesse a advertir o leitor do que está por vir ele abre o primeiro capítulo do livro com a epígrafe: “Primeira aparição dos homens-mulheres, descendentes daqueles habitantes de Sodoma que foram poupados pelo fogo do Céu.”
Então... Vai aventurar-se?
Cidade do abandono: Salvador/BA
Local: Pátio externo do COT - Canela
Data: 27/11/2011

sábado, 20 de agosto de 2011

CONTOS NOVOS


Quando pensamos em Mário de Andrade (1893-1945) logo nos remetemos à idéia do modernista que fez parte do Grupo dos Cinco: Mário de Andrade, Osvald de Andrade, Menotti Del Picchia, Tarsila do Amaral e Anita Malfatti, que organizaram e participaram da famosa Semana de Arte Moderna de 1922. Ou, para os iniciados em literatura, pensamos também em dois livros ‘Amar, Verbo Intransitivo’ e ‘Macunaíma’, os mais famosos dentre uma obra vasta e muito rica.
Como sempre, na minha modestíssima opinião, acho pouco. Mário foi um poeta, romancista, historiador, crítico de arte, fotógrafo, pianista, professor, musicólogo e pioneiro no campo da etnomusicologia brasileira (segundo o dicionário Houaiss quer dizer “1. Estudo das formas e atividades musicológicas de todas as culturas”). Um trabalhador incansável pela arte, música e cultura no Brasil.
O livro que pretendo abandonar chama-se Contos Novos e foi publicado em 1947, dois anos após o falecimento do autor. Nele vamos achar nove contos do total de doze que o autor pretendia publicar, segundo anotação manuscrita do próprio Mário e transcrita pela Livraria Martins Editora. É uma safra que ele não teve tempo suficiente de maturar e concluir, e trata-se da elaboração de um processo artesanal que compreendia ter várias versões do mesmo texto, alguns revistos e revisados por até dezoito anos, como é o caso de ‘Frederico Paciência’ cuja gestação ocorreu entre 1924 e 1942, também segundo anotações do autor.
Alguns logo dirão, dezoito anos não é muito tempo para um conto com treze páginas? Penso que não, colocando uma lupa no legado de Mário de Andrade nenhum tempo é curto quando se trata da qualidade de uma obra.
Cidade do abandono: Salvador/BA
Local: Garagem G1 - Salvador Shopping - Entrada escada rolante
Data: 06/11/2011

sábado, 13 de agosto de 2011

HANNIBAL


É possível escrever a continuação de um livro de sucesso? Quando um livro vende muito e deixa o escritor rico, bem rico, pode ter uma continuação que também alcance o mesmo patamar? O livro em questão seria O Silêncio dos Inocentes, que na verdade poucos leram, mas que muitos, e quando digo muitos, quero dizer milhões, sabem a história por causa do filme homônimo que foi agraciado com cinco prêmios no Oscar em 1992 (Melhor Filme, Diretor – Jonathan Demme, Ator – Anthony Hopkins, Atriz – Jodie Foster e Roteiro Adaptado – Ted Tally e Thomas Harris).
J R Rowling com a sua epopéia do menino bruxo Harry Potter pode dizer que sim, é fácil ter uma continuação, aliás, sete continuações. Agatha Christie também diria que sim, recordista, publicou mais de quarenta continuações da série escrita para os mistérios do detetive Hercule Poirot e Stephenie Meyer também, afinal ainda desfruta o sucesso da sua saga para os vampiros em Crepúsculo, Lua Nova, etc...
Quando Thomas Harris escreveu O Silêncio dos Inocentes não previu o sucesso que a obra iria alcançar, mas a continuação Hannibal, que pretendo abandonar, foi concebida no rastro do sucesso do personagem Hannibal Lecter, mesmo com o hiato de onze anos após o lançamento do primeiro. É lógico que a obra também foi adaptada para o cinema e outras mídias, com menos sucesso porque não era mais novidade, e carregou o ‘fardo’ de ser uma continuação. Nisso tudo quem mais penou foi o pobre do livro que por sinal é muito bom e muito rico, bem melhor como estilo literário que o primeiro e com uma responsabilidade enorme por ter que contar o que seu antecessor não contou.
E para apimentar a história o personagem Hannibal Lecter não é apenas o caçador, ele se transformará em caça, perseguido por uma de suas poucas vítimas que conseguiu sobreviver. Dr. Lecter está com o rosto transformado por cirurgias plásticas, com dinheiro em caixa e um cargo importante em Florença, abordado por uma de suas vítimas que investe em uma mórbida vingança. A parceria com a agente Starling fará com que Dr. Lecter escape dos policiais e de um assassino tão louco, inteligente e perverso quanto ele?
É ler e conferir.
Cidade do abandono: Salvador/BA
Local: Salvador Shopping - Louge em frente a Lojas Americanas
Data: 06/11/2011