segunda-feira, 4 de julho de 2011

ASFALTO SELVAGEM I


Este é o meu post de número 50. Como o número é bem significativo resolvi escrever sobre uma história que virou livro depois de publicada em capítulos no jornal, e de um autor que, apesar de ter nascido em Pernambuco, foi no Rio de Janeiro que obteve a fama de “obsceno” e “anjo pornográfico” por escrever sobre amores passionais, traições, e retratar o sexo nas tradicionais famílias cariocas.

“Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer menino. E o buraco da fechadura é, realmente, a minha ótica de ficcionista. Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico (desde menino).”

Nelson Rodrigues (1912/1980) foi repórter policial, cronista esportivo, romancista, teatrólogo, mas, principalmente, um observador do cotidiano e crítico da sociedade carioca da primeira metade do século XX.
O livro Asfalto Selvagem I compila a primeira fase da saga de Engraçadinha - Seus Amores e Seus Pecados, que vai dos doze aos dezoito anos, em sua edição definitiva. A história arrebatou milhares de leitores ao ser publicada na forma de capítulos, entre 1959 e 1960, no jornal Última Hora. Engraçadinha é uma garota que catalisa paixões precoces e como tem a exata noção do fascínio que exerce sobre homens e mulheres, não se detém em manipulá-los ao seu bel prazer.
A obra foi adaptada para o cinema em 1981, dirigido por Haroldo Marinho Barbosa, rendeu a Lucélia Santos o prêmio de Melhor Atriz no festival de cinema de Brasília pela interpretação despudorada de Engraçadinha. Isso causaria uma saia justa na posterior adaptação da obra para a TV em 1995, uma vez que Alessandra Negrini foi convidada para viver Engraçadinha na primeira fase, e farpas rolaram na divulgação do nome de Cláudia Raia para a segunda fase. Tive o prazer de assistir as duas versões, mas o que realmente fica é o texto primoroso de Nelson, as atuações são licenças poéticas e elas que se descabelem para saber quem foi a melhor.
Cidade do abandono: Salvador/BA
Local: Salvador Shopping - Corredor A - 2º Piso
Data: 28/08/2011

quarta-feira, 29 de junho de 2011

O COLECIONADOR


Deixando um pouco de lado as ‘leituras tortas’, hoje me dedico a escrever sobre um livro que gosto muito; O Colecionador. Sua intrincada história com toques de thriller psicológico e um lado que acho muito interessante, o delinear dos personagens. É incrível como John Fowles (1926/2005) consegue dividir tão bem a personalidade dos personagens a partir do desenrolar dos acontecimentos e depois das páginas dos seus respectivos diários.
O livro narra a história de Frederick Clegg, um homem tímido que trabalha como balconista em uma Prefeitura. Os amigos o ridicularizam, principalmente seu hábito de colecionar borboletas, quando o destino resolve fazê-lo ganhador de um prêmio da loteria e, subitamente, Clegg torna-se dono de uma grande fortuna. Ele então passa a ter uma única ambição: sequestrar Miranda, uma bela estudante de arte, objeto de um contemplativo e sôfrego amor platônico. A trama maior se desenvolve a partir do momento em que a leva para o casarão que adquirira para este fim, ele tem a seu favor apenas a superioridade da força e a determinação mórbida de manter sua “peça” junto a si, e defronta-se com a vitalidade e inteligência de Miranda que, com sua superioridade de caráter, cultura e magnanimidade, confunde e ofusca o medíocre sequestrador.
Na minha modestíssima opinião John Flowes possui uma excelente coerência de estilo literário que caracteriza muito bem seus personagens. A linguagem de Clegg nos diários reflete sua personalidade disforme, opaca, enquanto o estilo de Miranda é ágil, culto, cheio de vitalidade. Este livro foi escrito em 1963, o ano em que nasci, e seu grande sucesso fez com que John abandonasse o magistério e fosse viver somente de suas produções literárias. Em 1966 ele publicou ‘A Mulher do Tenente Francês’, que, assim como O Colecionador, tornou-se um best seller e também foi adaptado para o cinema, só que com mais sucesso. Também pudera, com Meryl Streep no papel principal já era de se esperar.
Cidade do abandono: Salvador/BA
Local: Salvador Shopping - Louge 1º Piso
Data: 28/08/2011

sexta-feira, 24 de junho de 2011

EU E O GOVERNADOR


Falei no post anterior sobre leituras “tortas” e não me contive em continuar com mais um exemplar dessa época de ouro. Vasculhei os livros que tenho para abandonar e encontrei um ótimo. Eu e o Governador.
A escritora chama-se Adelaide Carraro. Não que o livro seja ruim, uma história é sempre uma história e eu já disse aqui que gosto muito disso, mas há quem não goste, não leia, e até faça o sinal da cruz ao ouvir o nome da autora. Na época era um livro ‘proibido’, primeiro por ter relatos quase pornográficos e segundo porque foi escrito na primeira pessoa, como um diário da jovem que, ex-tuberculosa, apenas queria um emprego público para si e melhores condições para outros ex-tuberculosos e se envolveu num turbilhão de sexo, drogas and rock and roll político.
O Governador de quem se trata o livro, apesar de nunca ter sido nomeado pela autora, era o Janio Quadros. Quando o livro foi publicado o Janio não era mais nem Presidente, já tinha renunciado, e mesmo assim foi um livro ‘bomba’.
Em 1977 Adelaide Carraro já era uma escritora super publicada, tinha 23 livros escritos em apenas 12 anos de carreira, uma média de dois por ano, amargava cinco processos pelos mais diversos motivos, foi presa dezoito vezes e já tinha vendido dois milhões de exemplares dos seus livros e ainda escreveria outros tantos. Junto com Cassandra Rios, outro fenômeno de vendas nos anos 60/70, só seriam batidas muitos anos depois pelo Paulo Coelho, cujos livros, longe dos relatos pornográficos do mundinho político, falavam de magos e bruxas.
Cidade do abandono: Salvador/BA
Local: Salvador Shopping - Garagem 2
Data: 28/08/2011

sábado, 18 de junho de 2011

AMOR É SÓ UMA PALAVRA


Não é o melhor livro do J M Simmel, dizem por aí que “Por Quantos Ainda Vamos Chorar”, título horrível, é a sua melhor obra, outros acham que “Nem só de Caviar Vive o Homem”, outro título duvidoso, é o mais divertido. O livro que ora abandono é “Amor é só uma Palavra”, mais um título esquisito para a coleção, narra a história de um grande amor vivido por dois jovens da primeira geração do pós-guerra. Oliver Mansfeld, um rapaz de 21 anos, bem-nascido e com um belo futuro pela frente, e Verena Lord, mais velha que Oliver, casada e dividida entre o amor jovial e a vida boa proporcionada pelo marido.
Johannes Mario Simmel é filho de judeus, formou-se em química e atuou na área até 1945 quando os laboratórios vienenses foram destruídos durante os conflitos da Segunda Guerra Mundial. Desertou do exército, foi preso pelos russos e enviado para trabalhar como tradutor nos EUA. Foi jornalista e trabalhou em importantes revistas austríacas. Abandonou o jornalismo e dedicou-se a escrever livros, com um novo romance em média a cada dois anos, livros estes que muitos desdenham por tratar-se de um universo meio Dallas de ser. Para quem não se lembra do seriado televisivo, Dallas tinha um enredo recheado de ‘voltas por cima’, com fartas doses de poder, sexo e cobiça. E Simmel ainda situava tudo isso no pós guerra.
Confesso que minha humilde opinião se baseia em leituras tortas de mais de 20 anos atrás, e para ser bem franco, acho que não estaria numa lista de prioridades atuais. Mas ressalto que J M Simmel vendeu mais de 73 milhões de exemplares dos seus livros em todo o mundo, foi muito bem aceito pela crítica e público da época. Morreu aos 84 anos esquecido pela mesma crítica e público que, hoje, espera ardentemente pelo próximo livro do Dan Brown (O Código Da Vinci) ou da Stephenie Meyer (Crepúsculo), coisas da vida.
Cidade do abandono: Salvador/BA
Local: Shopping Barra - Estacionamento G2 - Sul
Data: 09/07/2011

domingo, 5 de junho de 2011

DEPOIS DO FUNERAL


Faz um tempo que não escrevo aqui, ando tão atarefado com os diversos trabalhos em que meto o meu bedelho que não tem sobrado tempo para os livros, por isso vou continuar neste mês de junho a homenagem às mulheres iniciada em maio.
Hoje escolhi Agatha Christie (1890-1976), grande dama britânica, autora de mais de oitenta livros com mais de quatro bilhões de cópias vendidas, reza a lenda que, à sua época, era superada em vendas somente pela Bíblia e pelas obras de Shakespeare, especializou-se no chamado ‘romance policial’ e fez do detetive Hercule Poirot sua maior criação.
O livro que vou abandonar não está nas listas dos mais famosos, mas é um dos que mais gosto, ao lado de O Caso dos Dez Negrinhos e Assassinato no Expresso do Oriente, Depois do Funeral tem uma trama bem intrigante, daquelas intrincadas em que um parágrafo mal lido pode te deixar sem entender o final.
A história, escrita em 1953, começa depois do funeral do rico industrial Richard Abernethie, quando sua irmã Cora, que sempre teve por hábito fazer comentários impertinentes, insinua que Richard foi assassinado. No dia seguinte Cora é encontrada morta. O assassino está entre os convidados do funeral de Richard e Hercule Poirot é chamado para descobrir sua identidade, já que ninguém ali presente tem um álibi perfeito.
Agatha nunca gostou do resultado de suas obras adaptadas para o cinema, com apenas uma exceção para Testemunha de Acusação, dirigido por Billy Wilder. Mas o teatro, ao contrário, trouxe-lhe grandes alegrias, exemplo para A Ratoeira, que foi encenada por mais de vinte anos.
Cidade do abandono: Salvador/BA
Local: Estacionamento G1-J - Salvador Shopping
Data: 05/07/2011

domingo, 15 de maio de 2011

UMA MULHER QUE FAZ


Um dia estava passeando pela FNAC em São Paulo, coisa que gostava muito de fazer quando morei por lá principalmente depois da inauguração da filial da Av. Paulista que era pertíssimo da minha casa, dava pra ir a pé, e me deparei com uma parede de livros, dessas que a editora paga para a livraria arrumar e assim divulgar o lançamento, estratégia de venda muito comum no varejo, e o livro do momento era Uma Mulher Que Faz, a autora: Lucimara Parisi.
Todo mundo à época sabia quem era Lucimara Parisi, diretora do Domingão do Faustão, uma das criadoras do histórico programa Perdidos na Noite, amiga de famosos, figurinha fácil das revistas de celebridade, mas escritora... Eu não conhecia essa vertente, embora soubesse que ela era jornalista. Não resisti e comprei o livro.
A obra é uma autobiografia com ares de livro de auto-ajuda, que definitivamente não é a minha praia, e uma pitada de revista Caras, já que o livro é recheado de fotos, muitas fotos. Mas tem um dado aí de que eu gosto muito, “histórias”, quem já leu alguma coisa nesse blog sabe que eu gosto muito de histórias, ‘causos’, relatos, e isso move minha curiosidade de leitor.
Na minha modestíssima opinião o livro está longe de ser uma obra prima da literatura, um livro imperdível, mas a vida contada pela própria Lucimara, romanceada ou não, aumentada, inventada, verídica, vale a pena pelo inusitado ou por mera curiosidade. Ela conta sua trajetória pessoal e profissional: do curso de datilografia ao trabalho como figurante na TV Paulista, de dubladora na TV Tupi a produtora de esportes na Rádio Nacional, até a chegada à Globo junto com o Fausto Silva. São histórias engraçadas e peculiares sobre os bastidores de um programa de TV, do encontro com pessoas famosas, dessas que fazem a social numa festa entre amigos e que nos faz gargalhar entre um gole e outro de bebida.
Duvido que um dia Lucimara Parisi seja convidada a disputar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras, acho inclusive que isso não deve passar pela sua cabeça, mas que o livro me deu algumas horas de descontração lá isso deu.
Cidade do abandono: Salvador/BA
Local: Laboratório SOL - Brotas
Data: 01/07/2011

segunda-feira, 9 de maio de 2011

RETRATOS DE UM CASAMENTO


Encerrei o mês de abril com um livro sobre homens, mais especificamente sobre o universo masculino, seja ele visto e/ou revisto por homens ou mulheres, e dedicarei este mês de maio aos livros com histórias femininas uma vez que é foi homologado pelo imaginário popular como mês das mulheres, mães e noivas. Claro que pode parecer óbvio ter o assunto ‘mulher’ justamente no mês de maio, mas não me incomodo em parecer tradicional mesmo que por vezes, nós, blogueiros, tenhamos o fardo de ser sempre modernos, antenados, fora dos padrões. Ufa! Isso cansa.
O livro que escolhi para começar é Retratos de um Casamento, escrito sob a alcunha de autobiografia, quando se lê percebe-se que aí existem três versões: a de Vita Sackville-West, mulher forte e determinada a romper paradigmas, principalmente nos quesitos amor e sexualidade, a do seu marido Harold Nicolson, homem apaixonado pela esposa e que também não se furta à suas aventuras extraconjugais, e, por fim, a de um dos filhos do casal, Nigel Nicolson, intitulado co-autor da obra e responsável por reunir os escritos da mãe após a sua morte em 1962, trabalho nada fácil para a época.
Nos escritos de Vita, extraídos do seu diário, ou autobiografia, como ela mesma descrevia, há relatos do dia a dia e também passagens íntimas de sua vida, pensamentos e elucubrações sobre sua ardente paixão pela rebelde Violet Trefusis, suas emoções, inseguranças e desejos são tratados de maneira confessional. As aventuras amorosas não só com Violet, mas também com a escritora Virginia Woolf, fizeram-na magoar profundamente seu marido Harold e até abandonar os filhos Nigel e Bem, mesmo que por um curto período.
Nigel descreve o casamento dos pais de forma singular e ajuda-nos a entender em que contexto se fixa a natureza moderna e liberal das opiniões e comportamentos de Vita e Harold nos primeiros anos do século XX, do forte amor que os unia e que se tornou, à medida que os anos foram avançando, o porto seguro a que ambos regressavam após as aventuras, ela com mulheres fortes em relacionamentos abertamente públicos, ele com jovens rapazes e de maneira mais discreta.
O livro, publicado em 1973, e lançado no Brasil em 1976, contém fotos do casal, cartas, bilhetes, é o resgate de um tempo. Prova de que qualquer maneira de amor vale a pena, qualquer maneira de amor vale amar... como bem escreveu Caetano Veloso para a música Paula e Bebeto.
Cidade do abandono: Salvador/BA
Local: Estacionamento do Cinema - Shopping Iguatemi
Data: 25/06/2011

domingo, 24 de abril de 2011

MACHO MASCULINO HOMEM


“Os homens são um desastre. São péssimos amantes e espalham o contrário”, diz um poeta. “O homem está feito barata tonta. Tomou umas esguichadas de Rodiazol e não sabe para onde vai”, diz um cartunista. “Ele está cada vez menos homem”, diz um ator. Menos numerosos que as mulheres, os homens, no entanto, morrem muito mais, de mais doenças e muito mais moços. São profundamente inseguros, julgam-se bem informados sobre o sexo, mas não progrediram nada em relação a seus pais e, como eles, crêem em mitos que só os afastam do conhecimento de si mesmos e de seus problemas. Pior ainda: em geral, ao contrário das mulheres, que organizaram-se para defender seus direitos e debater suas questões, sequer se dão conta de seus problemas.”
O texto acima é de Geraldo Mayrink, foi publicado na revista Afinal, em 1985, logo depois da realização do Simpósio do Homem. Mas poderia perfeitamente ter sido publicado ontem, em qualquer jornal, revista, ou lido num programa de televisão. Vinte e seis anos depois, e isso é quase uma vida, a discussão em torno do homem é atualíssima e o tema reflete, por incrível que pareça, o que pensamos hoje. O homem já não é mais aquele? O livro é conduzido por especialistas da época, em diversas áreas, dentre eles estão; Dr. José Ângelo Gaiarsa, Moacir Costa, Valéria Petri, Fernando Gabeira, Rose Nogueira e Regina Fourneaut Monteiro, e compõe aspectos múltiplos da crise do homem e do machismo.
Os novos tempos, as modificações no comportamento da mulher, a nova moral sexual, o questionamento da autoridade patriarcal, tudo ataca a posição do homem, seja na literatura, no cinema, TV, teatro, música, e é muito interessante perceber que algo mudou nesses vinte e seis anos, mas a mudança é, comparativamente, significativa em algumas áreas, e irrelevante na maioria delas. Vale conferir e tirar suas próprias conclusões.
Cidade do abandono: Salvador/BA
Local: Estacionamento G1 - J - Salvador Shopping
Data: 25/06/2011

quinta-feira, 21 de abril de 2011

A QUEDA PARA O ALTO


Muitos leitores podem confundir esse livro como biográfico, não o vejo assim, eu penso nessa obra como um ato confesso, ou o relato de uma vida conturbada e curta, muito curta. Sandra Mara Herzer, que posteriormente viria a adotar o nome de Anderson Herzer, cujo apelido Bigode consta na lista dos internos da antiga FEBEM, é o(a) nosso(a) autor(a).
Para entender um pouco sobre a obra posso dizer que Sandra/Anderson foi um poeta, escritor, uma obra publicada que posteriormente serviu de argumento para o filme Vera do diretor Sergio Toledo com Ana Beatriz Nogueira no papel principal. Uma infância complicada; o pai morreu assassinado quando ela tinha três anos, a mãe, prostituta, morreu antes de Sandra completar oito anos. Criada por tios nunca foi compreendida em seu mais íntimo conflito, o de “identidade de gênero”, sensível a ponto de escrever belos poemas e rebelde a ponto de assumir-se homossexual e depois transexual, adotando o nome de Anderson, envolvia-se em brigas na escola, bebia muito e atirou-se fundo nas drogas.
A essa altura já interna da FEBEM Sandra está cada dia mais masculina, é quando corta o cabelo, joga fora todas as roupas “de mulherzinha” e assume a identidade de Anderson. É descoberto e apoiado pelo então senador Eduardo Suplicy, sensibilizado com sua história e a qualidade de seus poemas, levou-o para trabalhar em seu gabinete dando-lhe a oportunidade de uma vida fora dos muros da instituição e apoio na publicação do livro A Queda Para o Alto.
O livro foi escrito com a simplicidade de um jovem cheio de energia, não há divagações ou a procura dos porquês do comportamento humano, sejam de natureza social ou sexual. As conclusões são nossas; dos leitores, pais, profissionais de educação e daqueles que tem o poder público de transformação.
Sandra/Anderson não quis esperar o lançamento de seu livro, deixou-o como um recado. Aos 20 anos se jogou do viaduto da Av. 23 de Maio em São Paulo, recebeu os primeiros socorros ainda com vida, mas não resistiu aos graves ferimentos.
Cidade do abandono: Salvador/BA
Local: Estacionamento Perini - Graça
Data: 24/06/2011

domingo, 17 de abril de 2011

UM ANO


Exatos 17 de abril de 2010 publiquei o primeiro post deste blog.
Um ano depois contabilizo em números 41 resenhas, ou post, para quem prefere uma linguagem de internet, 25 seguidores e mais de 1.000 visitas. Isso sem contar os comentários publicados, os e-mails recebidos, os elogios, e críticas, porque nada é perfeito para todo mundo, feitos pessoalmente por amigos e pessoas que não conhecia, mas que vieram falar comigo quando descobriram que eu era o autor.
Números à parte, ter um blog e eternizá-lo no mundo virtual foi um sonho que acalentei durante um bom tempo, exercitar a escrita e compartilhar experiências é um processo, quase uma terapia de regressão, afinal, lembrar das histórias, buscar dados sobre a obra, o autor, e, principalmente, rememorar fatos e acontecimentos que marcaram minha vida durante a leitura daquele livro comentado, trouxe ótimas lembranças.
Entretanto, na vida sempre há um ‘entretanto’, abandonar livros não é uma tarefa fácil. Das 41 resenhas que escrevi, até hoje abandonei efetivamente 33 livros. Confesso que a timidez me atrapalha, o coração dispara e as mãos tremem no momento crucial de um abandono. Às vezes me sinto um terrorista, um homem bomba prestes a explodir. Tomei quatro cafés e comi cinco pães de queijo até achar um bom momento para abandonar um livro numa loja do Fran’s Café, tomei três sorvetes no McDonald’s até sair sorrateiramente da lanchonete com o coração disparado e logo depois ser interpelado no estacionamento pela solícita garçonete que me trouxe o livro de volta porque ela achou que eu tinha esquecido, rodei quilômetros pela cidade até achar um ponto de ônibus vazio para deixar um livro sobre o banco, andei por quase duas horas dentro Espaço Unibanco de Cinema até perceber o momento exato para deixar o livro em local visível e sair sem ser abordado por uma pessoa que imediatamente te devolve o livro dizendo “Olha! Você deixou na mesa lá dentro”. Bendita cidadania. Isso quando estou sozinho, porque já coloquei pessoas próximas “pagando o mico” comigo, como na vez que minha mãe me ajudou distraindo o garçom enquanto eu deixava o livro numa mesa do restaurante Spaguetti Lilás, e na vez em que minha amiga Isabel Vasques, em São Paulo, foi ameaçada por uma senhora ao abandonar um livro no ônibus e teve que ouvir “Leve seu lixo com você, não deixe aqui para dar trabalho aos outros”.
Entretanto, já disse que na vida sempre há um ‘entretanto’? Continuo sentindo um enorme prazer em ler e agora me aventurando também na escrita, meu amigo Ricardo Linhares disse uma vez que escrever, assim como ler, é ato diário, deve tornar-se hábito para que o façamos bem, e esse hábito eu não quero perder até o fim da vida. Agradeço aqui ao Paulo Ricardo, que esteve ao meu lado quando criei e nomeei o blog, ao Roberto Camargo, pela inspiração de sempre, e a todos os leitores amigos e amigos leitores. Vamos em frente.
Para quem, como eu era, tem vergonha de escrever algo público, pode utilizar-se do e-mail abandonandolivros@gmail.com para mandar uma mensagem, um comentário, uma crítica, um oi, uma cutucada ou uma lufada de vento.