quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

200 CRÔNICAS ESCOLHIDAS


Uma vez li no blog do Roberto Camargo um post intitulado ‘Musicas que combinam com praia’ (Fev/2010) e fiquei a pensar em quais livros combinariam com praia. Como eu gosto de ler e livro faz parte do meu cotidiano, tenho a capacidade de ler até quatro livros ao mesmo tempo, não cheguei a uma conclusão específica na época. Recentemente, no mesmo blog, o Roberto escreveu um post intitulado ‘Uma Praia Distante & Deserta’ em ele faz uma alusão à leitura na praia. Não me contive e pensei especificamente no que diz o post “Um livro, de preferência de contos ou crônicas, que, se cansar, dá para interromper a leitura a qualquer momento”. Pensei melhor no assunto e cheguei à conclusão de que crônicas e contos são os mais recomendados para essas ocasiões. Morador de Salvador/BA, distante três minutos a pé da praia do Porto da Barra, onde a aglomeração é imensa e a quantidade de informações é tamanha, eu garanto que não há estilo melhor para ler sem perder a concentração.
Pensando nisso, uma vez que o verão já chegou por aqui, se é que algum dia ele foi embora, resolvi abandonar um livro do Rubem Braga (1913-1990). Capixaba, nascido em Cachoeiro do Itapemirim, Rubem começou a ter seus textos publicados no jornal Diário da Tarde em Belo Horizonte quando ainda era um estudante. Mais tarde escreveu em diversos jornais e revistas do Brasil quando morou em São Paulo, Recife, Porto Alegre e Rio de Janeiro.
200 Crônicas Escolhidas é uma reunião dos melhores textos produzidos por Rubem Braga entre 1935 e 1977. A escolha das crônicas foi feita pelo próprio autor com base numa seleção organizada pelo amigo Fernando Sabino. Abordando sempre assuntos do dia a dia, falando de si mesmo, da sua infância, mocidade, primeiros amores, com predileção especial pelas coisas da natureza, o amor e a exaltação à mulher, Rubem tem a capacidade de impregnar tudo que escreve de um grande amor à vida simples. Nunca deixou de escrever regularmente suas crônicas para jornais e revistas constituindo ai um verdadeiro fenômeno: o de ser o único (que me perdoem se houver outros) escritor a conquistar um lugar definitivo na nossa literatura exclusivamente como cronista.
E se vocês me dão licença, vou dar um mergulho no mar porque hoje é feriado aqui e está fazendo um lindo dia de sol.
Cidade do abandono: Salvador/BA
Local: Fórum Rui Barbosa - 2º Piso
Data: 07/02/2011

domingo, 28 de novembro de 2010

A DOR


“Como pude escrever isto, que não sei nomear e que me assombra quando releio?” Essa frase é da Marguerite Duras (1914-1996), autora do livro após seu lançamento, uma grande escritora, diretora e roteirista de filmes, se você não assistiu ‘Hiroxima, Meu Amor’ tens aí uma falha no seu currículo cinematográfico.
Este livro é composto de vários textos, a grande maioria deles baseados em fatos verídicos, por vezes escritos nos mínimos detalhes, uma vez que A Dor expõe facetas diversas de acontecimentos envolvendo a participação da autora na Segunda Guerra Mundial quando militava na Resistência e era membro do Partido Comunista Francês.
Mas não pense tratar-se de um livro político, ou histórico político, ele é para mim uma grande história de amor e acho que vem daí a origem do título. Ela nos conta a história do seu amor por Robert L., prisioneiro num campo de concentração nazista e que talvez esteja morto no fundo de uma vala. A história é de uma imensa e obstinada espera pelos homens que voltam da guerra e aborda com muito despojamento e realismo, para não dizer crueza, o estranho relacionamento entre a mulher do militante prisioneiro e o agente da Gestapo que o prendeu.
Em alguns trechos o livro me lembra muito o filme ‘Hiroxima, Meu Amor’, com uma autora engajada desvendando por vezes passagens e aspectos políticos bem interessantes relacionados com o conflito mundial, contando inclusive sobre o dia que ela teve em suas mãos a vida do presidente francês François Mitterrand quando era chefe da Resistência.
Duras escreveu A Dor aos 71 anos e talvez por isso seja uma obra carregada de emoção e quem o lê se deixa marcar de forma indelével.
Cidade do abandono: Salvador/BA
Local: Ponto de ônibus - Av. ACM - Em frente a clínica Delta
Data: 23/01/2011

domingo, 21 de novembro de 2010

CORRIDA VERTICAL


Esse é um livro thriller. Surpresos? Pois é, eles existem, e atualmente Dan Brown e os seus códigos templários são o melhor exemplo disso. Livro thriller é aquele em que o autor não deixa você respirar e é quase impossível parar de ler, os ganchos de final de capítulo o levam a começar o próximo e por aí vai.
Corrida vertical conta a história de David Elliot, um executivo bem sucedido que, numa manhã comum de trabalho, vê seu chefe entrar inesperadamente em sua sala, arma em punho, pronto para matá-lo. Sem ter tempo sequer para pensar Elliot consegue fugir dos tiros, mas, no decorrer desse longo dia percebe que sua vida está por um fio. Sua esposa, filho, amigos, estão todos unidos pelo objetivo único de matá-lo e ele é alvo também de uma equipe de atiradores de elite que vasculham os 50 andares do prédio onde trabalha à sua procura. Sua vida virou de ponta cabeça. Para sobreviver, só pode contar com sua experiência de guerra dos tempos do Vietnã.
O que faz um homem comum o alvo de todos? Qual o crime que cometeu? Com uma narrativa que flui como um rastilho de pólvora a pergunta intrigante permanece, por que David Elliot é um homem marcado para morrer? Se você gosta de emoção e adrenalina respire fundo e prepare-se, em menos de 24 horas Elliot pode estar morto.
Este é um bom livro, não precisamos pensar, é só se entregar às armadilhas e intrigas que ameaçam a vida do protagonista. Mas não recomendo ler à noite caso você tenha comprimisso no dia seguinte bem cedo. Esse é do tipo de livro que fará você varar a madrugada.
Cidade do abandono: Salvador/BA
Local: Ponto de ônibus - UFBA Ondina - Av. Anita Garibaldi
Data: 23/01/2011

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

ALMOÇO NU


Este livro tem é história e muitas referências, seu autor William S Burroughs (1914-1997) ficou conhecido mundialmente após o lançamento de Naked Lunch, ou, Almoço Nu na versão brasileira. É um livro muito enigmático com imagens e situações que ao poucos se tornam familiares ao leitor que é transportado de uma espelunca urbana cheia de viciados para uma floresta, e depois para uma cidade que mais parece uma visão paranóica das metrópoles mundiais de hoje em dia. O livro foi lançado em meados de 1959 e a paranóia das drogas já estava na literatura da chamada “geração beat”, esta obra foi uma das precursoras da libertação editorial dos EUA na década de 60 do século passado.
Homossexual assumido após o falecimento da sua esposa em função de um acidente com uma arma de fogo, Burroughs imprimiu seu estilo criando uma atmosfera fantástica e grotesca, sempre com um cunho autobiográfico e com uma linguagem proveniente de fluxos de consciência durante o uso de alucinógenos.
Embora muitos críticos não gostem do vínculo de Burroughs com a onda “beat”, é impossível não associar Almoço Nu ao movimento cujo termo é usado para descrever artistas e poetas que levavam uma vida nômade ou fundavam comunidades, e foram, desta forma, o embrião do movimento hippie. Muitos remanescentes hippies se auto intitulavam beatnicks e um dos principais porta-vozes pop, John Lennon, se inspirou na palavra “beat” para batizar o seu grupo musical, The BEATles.
Vale à pena a leitura desse livro que é um marco de um movimento maior, hoje chamado de ‘contracultura’.
Cidade do abandono: Salvador/BA
Local: Ponto de ônibus - Av. Magalhães Neto - Em frente ao colégio Módulo
Data: 14/01/2011

domingo, 7 de novembro de 2010

OS SOBREVIVENTES


Estava eu em meados de 1982 aguardando a revista do Círculo do Livro que viria com o lançamento de “Os Sobreviventes – A Tragédia dos Andes”, era o “livro do ano”, todo mundo queria ler sobre o relato do acidente ocorrido dez anos antes com o avião Fairchild F-227 da Força Aérea Uruguaia na Cordilheira dos Andes.
A boataria cercava o livro e muitos que já tinham lido o achavam por demais mentiroso e romanceado, outros alegavam ser a mais pura verdade e isso alimentava as rodas de conversas. Eu estava nos meus precoces 19 anos de vida e, como vocês que acompanham o blog já sabem, sou um cara curioso com histórias.
O que mais me impressionou no livro não foi a catástrofe da queda do avião e nem as expedições de busca pelas montanhas geladas, exploradas pelo cinema no lançamento do filme homônimo, mas a maneira como o autor Piers Paul Read narra as angústias e os dilemas do grupo em sua luta pela sobrevivência. Principalmente a questão do canibalismo, fato que correu mundo e despertou as mais diversas controvérsias; das religiosas às nutricionais, passando pela judiciária e ética. A grande dúvida se deveriam alimentar-se dos passageiros mortos no acidente ou morrer de fome. Os diálogos e as discussões relativas ao assunto é o mais interessante da obra escrita porque não há tempo pra isso nos filmes.
O livro vale pela narrativa e é o primeiro da seção aventura que abandono, mas não se empolgue achando tratar-se de um “blockbuster”, longe disso, você terá muita coisa pra pensar depois da última página.
Cidade do abandono: Salvador/BA
Local: Restaurante Spaghetti Lilás - Alameda Antunes
Data: 09/01/2011

terça-feira, 2 de novembro de 2010

UM INSTANTE NA VIDA DO OUTRO


“E que seja perdido o dia em que não se dançou uma única vez! E que seja falsa para nós cada verdade perto da qual não tenha havido pelo menos uma gargalhada.” Nietzsche

Assim, com essa citação, Maurice Béjart (1927-2007) abre seu livro de memórias. É mais um livro biografia/memórias que abandonarei, e com o tempo vocês perceberão que serão muitos, porque gosto de ler biografias, mesmo as inacabadas ou não autorizadas. Não sou uma das irmãs Cajazeiras, mas sou chegado em histórias da vida alheia, de histórias reais, mesmo que às vezes elas pareçam por demais romanceadas, resultado da licença poética de quem as escreve ou estado de espírito de quem as lê.
Conheci a obra de Maurice Béjart em 1980 ao assistir o filme Retratos da Vida (Les uns et lês autres) do diretor Claude Lelouch, inspirada pela música de Maurice Ravel e brilhantemente reproduzida pelo bailarino Jorge Donn, sua coreografia Bolero encerra o filme. Quem viu o filme não conseguiu passar imune à cena final, a sutileza da música num crescente, os movimentos leves, sensuais, transformando-se em fortes, vigorosos, a inovação dos movimentos criados para um bailarino num palco circular são o fruto da genialidade de um coreografo ousado e inovador. A partir daí minha curiosidade sobre o autor da obra foi aguçada e culminou com a leitura do livro. Nele conheci o gênio da dança experimentando o desafio de falar de si, e em alguns momentos de se confessar, pois este livro nada mais é do que uma série de confidências. Béjart conta sobre sua fonte de inspiração primordial: a infância e os sonhos, explica como nasceu sua vocação, fato de certo modo ligado à morte de sua mãe quando ele ainda tinha sete anos, até o difícil nascimento dos seus primeiros balés: Symphonie pour un homme seul, Orphée, Nijinski, Bolero, Romeu e Julieta, Sagração da Primavera, e tantos outros, o medo do fracasso, sua irrequieta relação com Deus e a incessante busca do amor.

“Perde-se a guerra, o dinheiro, os amigos. Perdem-se as ilusões, os cabelos, o rosto. Frequentemente perde-se a cabeça. Perde-se também a fé. Mas o tempo nunca se perde.” (Pag. 174)

Meus amigos Weidy e Mari, cuja dança está na alma, espero que um dia vocês achem esse livro.
Cidade do abandono: Salvador/BA
Local: Teatro ISBA
Data: 07/01/2011

domingo, 24 de outubro de 2010

A TRAIÇÃO DE RITA HAYWORTH


Este foi o primeiro livro escrito pelo argentino Manuel Puig (1932/1990). Muitos aqui no Brasil acham que ele só escreveu ‘O Beijo da Mulher Aranha’ por causa da repercussão do filme dirigido pelo Hector Babenco, com Sônia Braga na fase belíssima, mas com um inglês horrível, e o Oscar de Melhor Ator (1986) para William Hurt pela atuação impecável no personagem homossexual Molina. Além do filme também houve o musical estrelado por Cláudia Raia, Miguel Falabella e Tuca Andrada em 2001, quando musicais no Brasil fora do estilo chanchada eram quase remotos. Ambos adaptados pelo próprio Manuel. Na Argentina sua obra mais famosa foi ‘The Buenos Aires Afair’, censurada pelo governo logo após sua publicação fez com que Manuel fosse morar no México face às inúmeras ameaças que recebeu.
Escrito originalmente como roteiro para o cinema e publicado como livro em 1968, A Traição de Rita Hayworth já mostra o estilo de Manuel Puig na construção da sua narrativa de formas até então inusitadas como: conversas telefônicas, cartas, diários, redações e diálogos de filmes. É um relato quase autobiográfico que analisa a influência dos filmes da década de 30 a 40 do século passado no dia a dia de uma pequena cidade da Argentina. Essa correlação do cinema com a vida das pessoas é uma marca singular da obra do autor e já nesse livro é muito marcante. Isso o tornaria um vanguardista de um movimento subterrâneo, silencioso e infrator que subverteria a indústria cultural cinematográfica norte-americana intitulado pela escritora Susan Sontag como ‘Camp’.
A Traição de Rita Hayworth, que também chegou a ter problemas com a censura na Argentina, alcançou relativo sucesso na Espanha, Itália e nos Estados Unidos, mas passou quase despercebido no Brasil. Na França seu sucesso foi imediato, muito bem acolhido pela crítica e público, sendo incluído pelo jornal Le Monde na lista dos cinco melhor livros estrangeiros publicados no fim dos anos 60.
Cidade do abandono: Salvador/BA
Local: Farmácia Bompreço - Loja do supermercado do Chame Chame
Data: 24/12/2010

domingo, 17 de outubro de 2010

ELENI


Este é o vigésimo livro que pretendo abandonar, por isso escolhi Eleni, de Nicholas Gage. Eleni é tragédia grega no seu sentido mais tocante. É uma narrativa esmerada e profundamente humana, uma história pessoal e ao mesmo tempo universal por tratar-se da escolha de uma mãe pelos seus filhos. Mas calma aê, não se trata de uma copia de A Escolha de Sofia, obra que foi filmada e projetou Meryl Streep ao patamar de diva do cinema mundial.
A história do livro é escrita pelo filho de Eleni, Nikola Gatzoyiannis, repórter do New York Times, que tem a oportunidade de realizar o plano da sua via: investigar a fundo a vida e a morte de Eleni Gatsoyiannis, fuzilada aos 41 anos de idade pelos guerrilheiros comunistas gregos. Na sede por vingar a morte da sua mãe ele entrevista mais de 400 pessoas que a conheceram, ou que, de algum modo, estavam ligadas à sua vida e a sua morte. Consultou diários, cartas, relatórios e mapas militares, juntou a isso suas próprias recordações e as das suas irmãs para voltar aos anos 20 do século passado e a partir desse mote descrever como era a vida em Lia, pequena aldeia grega perdida no alto das montanhas de Mourgana, perto da fronteira com a Albânia, seus costumes, tradições, ritos de nascimentos, casamentos e funerais, ofícios religiosos, a vida pastoril dura e primitiva que é completamente alterada com o advento da Segunda Guerra Mundial, a ocupação italiana, depois a alemã, e a guerra civil com todas as suas atrocidades que dilaceraram a Grécia por tantos anos e que custaram muitas vidas.
Desse relato surge a personagem Eleni que, apesar de toda a sua formação aldeã, criada num meio dominado por tradições e superstições, tudo superou por amor aos filhos. Eleni consegue que quatro dos seus cinco filhos saíssem do inferno que se tornou a vida na aldeia e fugissem para a América, pagou por isso com a vida. Mas até o fim, apesar das torturas que sofreu, Eleni conservou a firmeza e a nobreza dos seus sentimentos, suas últimas palavras registradas foram de amor aos filhos e não de vingança contra seus carrascos, e é essa atitude que irá mudar radicalmente as pretensões de Nikola, causando um desfecho inesperado no livro.
O livro é um tijolão, são quase 500 páginas, mas não se assuste, comece a ler, os bons livros entretêm e você ri, chora, e quando percebe já acabou.
Cidade do abandono: Salvador/BA
Local: Restaurante Digerir
Data: 20/12/2010

terça-feira, 12 de outubro de 2010

O EXORCISTA


Em 2011 o livro O Exorcista completará 40 anos. Desde o lançamento da primeira edição em 1971, passando pela estréia do filme homônimo em 1973, e suas duvidosas sequências, além de outros tantos livros decorrentes do primeiro, não houve uma publicação na categoria terror/thriller que suscitasse tantas polêmicas que vão desde como a Igreja Católica considera o Demônio, a acusação de que o autor explorava pornografia com crianças, o que valeu quase um ano de interdição pela censura brasileira ainda sob rédeas da ditadura militar sob o argumento de obra caluniosa, até uma pretensa maldição para o elenco que quase levou ladeira abaixo a carreira de Linda Blair, atriz mirim que interpretou a possuída Regan MacNeil.
A história é quase banal para os dias de hoje, durante escavações arqueológicas uma antiga estátua é encontrada e a partir daí um demônio chamadao Papazu é libertado. Longe dali uma jovem, aos poucos, começa a sofrer drásticas alterações de comportamento. Após fracassados tratamentos médicos e psiquiátricos a mãe de Regan pede ajuda ao padre Damien, também psiquiatra, e que naquele momento atravessa um conflito íntimo com a falta de fé. Para ajuda-lo o bispo local nomeia o padre Merrin para o ato religioso e a partir daí comecam os confrontos entre o demônio e os sacerdotes. No livro, o relato envolvendo sexo, vômitos e escatologia são fortes, mas não são as principais cenas como o roteiro do filme salienta, no livro o mais importante é o embate entre fé e descrença, esse é o mote da obra que muitos duvidam até hoje se foram baseadas em fatos reais ou não.
Polêmico para a época, motivo de ataques veementes e injuriosos dos mais reacionarios já que toca em um assunto tabu que é a religião, e a crença ou não aos dogmas e santos, o livro foi publicado no Brasil pela Editora Nova Fronteira e com o sucesso nas vendas os lucros puderam patrocinar o lançamento da primeira edição do Dicionário Aurélio. Os fins justificam os meios?
Cidade do abandono: Salvador/BA
Local: Botequim Café - Salvador Shopping
Data: 27/11/2010

sábado, 9 de outubro de 2010

ED MORT E OUTRAS HISTÓRIAS


Luis Fernando Verissimo, sim o filho do não menos grande Erico Verissimo (Olhai os Lírios do Campo, O Tempo e o Vento, etc.), pai de Mariana Verissimo (Retrato Falado, Sexo Frágil, etc.), uma querida amiga que conheci quando morava em São Paulo, é um senhor escritor, e quando digo ‘senhor’ não me refiro aos seus 73 anos de vida, mas ao fato de ter lançado inúmeras obras como cronista, romancista, autor de peças de teatro, chargista e roteirista, desde os anos 50 do século passado. Antigo? Não, muito pelo contrário, atualíssimo, engraçado, político e dinâmico, com um arsenal de personagens que ficaram famosos como O Analista de Bagé, A Velhinha de Taubaté, As Cobras e Ed Mort.
Estou preparando o abandodo de Ed Mort e Outras Histórias, livro coletânia de crônicas lançado pela Editora LP&M em 1979 que imortalizaria e popularizaria ainda mais esse detetive trapalhão, de língua afiada, coração mole e sem um tostão no bolso, que se mete em todo tipo de encrencas e convive com 17 baratas e um rato albino chamado Voltaire. O livro é excelente e garante umas boas risadas com textos rápidos e sacadas muito inteligentes, afinal, esse detetive carioca tem sempre em mãos casos esdruxulos e inusitados.
Ed Mort virou filme dirigido por Alain Fresnot, com Paulo Betti no papel principal, virou também um especial de fim de ano da TV Globo com Luis Fernando Guimarães interpretando Ed, e também foi adaptado para o teatro em 1993, com atuação de Nizo Neto, baseado no episódio Procurando Silva, um clássico das aventuras de Ed Mort.
Tá bom ou quer mais?
Cidade do abandono: Salvador/BA
Local: Salvador Shopping - Lounge Térreo
Data: 27/11/2010